quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ajude a escolher as músicas para o livro "Canções" - votação


Enfim, chegou a hora! Demorou um pouco, mas é que eu estava testando uns sites de enquetes.

A partir de hoje, dia 12 de novembro, até o dia 30 de dezembro deste ano, você poderá escolher e votar em uma das canções sugeridas por leitores do blog. Caso não tenha lido este post antigo, explico aqui novamente: estou com o projeto de fazer um livro de contos baseados em músicas. Ao todo, serão oito contos: quatro músicas eu irei escolher, e vocês, leitores, escolherão as outras quatro. O plano é eu escrevê-los durante o ano de 2015 e publicá-lo de forma independente no final do ano, no mais tardar, nos primeiros meses de 2016.

É rápido e fácil: escolhe a música que mais gostar e que acha que pode dar um conto interessante e vote. Você pode votar quantas vezes quiser. As opções estão neste post, logo abaixo.

Desde já, agradeço a quem sugeriu as canções da votação abaixo. As pessoas que sugeriram serão reveladas junto com o resultado das canções mais votadas. Além de terem uma dedicatória no livro, elas ganharão um exemplar digital de graça.

Até o dia 30. Vote e continue colaborando com o projeto "Canções"!

sábado, 8 de novembro de 2014

Vídeo preview do livro Massive: Gay Erotic Manga and the Men Who Make It


Essa semana foi divulgado um vídeo da editora Fantagraphics em que podemos ter um preview do livro Massive: Gay Erotic Manga and the Men Who Make It. Massive é uma coletânea de gay mangá de vários autores, a primeira coletânea a ser lançada oficialmente em inglês. E além dos quadrinhos, nós também temos entrevistas e fotos (!!!) dos artistas. Tá certo que alguns aparecem de costas, mas é legal ver que as pessoas por trás dos mangás são reais (?).

Enfim, abaixo o vídeo.


Preciso dizer o quanto fiquei animado de tê-lo em minhas mãos? Material maravilhoso - eu babei horrores quando passou pela parte dos trabalhos do Takeshi Matsu. E foi bom saber que a história dele escolhida foi "The Case of Kannai-kun", uma das minhas favoritas.

Mas além de esperar uma vaciladinha do valor do dólar, temos de esperar que o livro seja oficialmente lançado. A data de lançamento está prevista para dezembro deste ano e pode ser encomendada aqui no site da editora, onde você pode baixar um preview em PDF do livro que é ainda mais instigante. Pesquisei em outros sites de venda: no Book Depository ele não está no catálogo, mas está em pré-venda no Amazon, mas este só começará a vender o livro em janeiro de 2015. Preparem o bolso. ;)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Du iu ispiqui Ínglix?


Acabei de ver uma coisa que eu preciso compartilhar. Coisas que só acontecem na internet.

Estava eu acompanhando uns tweets, quando o Neil Gaiman - preciso explicar quem é este moço? - comenta o seguinte ao lhe fazerem uma pergunta... Sabe como é, fãs sempre perguntam algo em esperança que seus ídolos respondam:



Daí você lê a mensagem em inglês e vê que ela está muito estranha. Você reza para que não seja um brasileiro cometendo tal gafe, mas quando você clica no perfil do Twitter... Sim, é brasileiro. Eu reli atentamente e então percebi que se trata obviamente de uma frase dignamente construída com a ajuda do Google Translator, já que é uma tradução literal de "você começou a escrever com quantos anos?". E tudo foi confirmado num tweet:



Embora seja estranho que alguém hoje em dia ainda confie no Google Translator, até aí nada tão ruim. Acontece. Ninguém é obrigado a saber de tudo na vida... Mas aí você lê outro tweet e percebe como a admiração e o desprezo são duas faces da mesma moeda. Rapidinho o amor de fã vai ralo abaixo:



Porque, claro, é mais fácil convencer o Neil Gaiman - O Neil Gaiman - de que ele tem a obrigação de decifrar toda mensagem truncada que lhe enviam do que, sei lá, fazer um curso de idiomas. Neil Gaiman, seu burro!


sábado, 25 de outubro de 2014

5 horríveis experiências vendo filmes nos cinemas manauaras


Com o passar dos anos, é incrível notar como a experiência de ir ao cinema ver um filme piorou. E muito. E não, eu não vivi há tanto tempo, tenho só 27 anos. Mas entre as sessões no começo do ano 2000 em que eu via uma sala inteira do Cinemark caladinha pra ver a estreia do filme do Homem-Aranha (o do Sam Raimi, não o lixo do reboot) e as últimas em que você precisa lidar com luzes de smartphone e conversinhas paralelas no meio do filme, digamos que eu percebo que, no mínimo, tem gente que ainda precisa aprender a como se portar no cinema.

Hoje resolvi contar cinco historinhas de experiências minhas no cinema que, além de lamentar os rumos da experiência de se ver um filme nos cinemas, também serve para entender porque muita gente está guardando dinheirinho pra ter seu home theater, e que a educação e a consideração ao próximo está cada vez mais esquecida. O título se refere ao manauara porque, bem, eu vivo em Manaus, e para ser bem sincero, eu acho que o povo de Manaus é muito mal educado. E não o faço olhando por cima, por muitas vezes eu já joguei lixo no chão, hoje eu guardo o lixo até achar uma lixeira, ou até chegar em casa. Acho que pra se corrigir, é preciso reconhecer os erros. E reconheço também que o povo de Manaus no cinema (e no trânsito também, mas isso fica pra outro post, talvez) é tão discreto quanto um elefante caminhando dentro de um shopping. Não tem como não notar, e me desculpem se isso soa elitista (o que acho absurdo), mas eu valorizo a educação. Pena que isso não é um pensamento comum.

E sim, todas as histórias são verdadeiras.

#5 - Filhos de Galvão Bueno
Filme: Tron: O Legado

Acredito que não há coisa pior do que pessoas que NARRAM o que está acontecendo no filme. Nessa ocasião, tive a sorte que dois adolescentes, possivelmente criados sob a influência de Pânico na TV e 4:20, sentassem atrás de mim e comentassem tudo no maior estilo Beavis e Butt-Head comentando clipes:

"O filme tá começando!"
"Ele está andando de moto!"
"Nooooossa, eles vão lutar!"
"Man, você viu isso saltando na tela?"
- a sessão era em 3D
"Ele está entrando no jogo!"
"Viadinho, viadinho!"
- quando aparece o personagem do Michael Sheen
"O filme está acabando..."

A melhor de todas é quando uma das personagens se fere e então:
"Caraca, é sangue?"

Ao menos Beavis e Butt-Head eram genuinamente engraçados. E mais inteligentes, suspeito.


#4 - Sou uma diva
Filme: Malévola

Essa história eu já tinha contado parcialmente na minha resenha sobre o filme. O supra-sumo da vergonha alheia: um jovem, suspeito que apaixonado pela Angelina Jolie, sentou do meu lado (eu atraio esse povo!). Durante o começo do filme, tudo tranquilo, mas bastou a atriz aparecer na tela que ele não se controlava. Era "linda" pra cá, "poderosa" pra lá, e os adjetivos mais gays que você imaginar pra uma atriz.

Mas o pior era que ele já tinha visto o filme antes, e várias vezes, suponho. Ele declamava toda santa fala que saía da boca da Malévola. Na metade do filme, não aguentei. Me virei e falei: "Você vai mesmo falar junto do filme o tempo todo?". De repente o moço se calou e logo após dois minutos, se mudou pra outra poltrona e lá ficou. Caladinho.


#3 - Discurso interrompido
Filme: O Discurso do Rei

"O Discurso do Rei" não é um filme que o público manauara vai correndo ver no cinema. De fato, eu fui uns poucos dias após a estreia (e se não me engano, o filme só estreou APÓS a indicação ao Oscar), e a sala enorme tinha algo entre 10 a 15 espectadores. "Nada mau", pensei, "ao menos terá silêncio". HA!

Na metade do filme, eis que um celular toca - alguém ESQUECEU de ao menos colocar o celular no silencioso, mesmo depois daquele aviso antes do filme, que coisa!!! - e a pessoa, em vez de desligar o bendito aparelho, começa a falar no telefone! E não era conversa estilo "Depois te ligo, tô no cinema", era uma conversa completa, com direito a perguntar como vai a família, o que estava se passando, se o cachorrinho já comeu... E a voz estava em tom normal, nem se deu ao trabalho de baixar a voz. Enfim, foi preciso que uma senhora - haviam duas de cabelo beeem branquinho vendo o filme, raramente vejo gente idosa no cinema - fosse ralhar com a criatura pra que ela desligasse o celular.

Agora me expliquem: dá pra entender alguém que paga quase vinte reais de ingresso pra conversar no celular?


#2 - Sou uma diva parte 2
Filme: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Ver "Malévola" foi uma tortura, mas nada pior do que ver "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" no que seria o último dia de exibição em Manaus (depois estenderam a exibição, uma pena eu ter descoberto tão tarde). Se o carinha surtando pela Angelina Jolie foi um horror, imagina uma fileira inteira de gays da geração Lady Gaga surtando pelo filme.

O mesmo de sempre: os que já tinham visto o filme várias vezes recitavam as falas, havia os que faziam observações brilhantes sobre o que se passava no filme - "Olha, ela está bêbada! *risos*", havia os que xingavam o personagem homofóbico toda vez que ele aparecia  - "Eu ODEEEEEEEEIO esse garoto!", havia os que faziam comentários açucarados extremamente vergonhosos e até choravam - mesmo! - em todos, TODOS os beijos entre o Leonardo e Gabriel, havia os que faziam comentários extremamente pornográficos durante as cenas de nudez e havia os que faziam piadinhas gays, geralmente com conteúdo pop - "Esse menino é mais vesgo que a Wanessa Camargo". E tudo isso GRITANDO em plena sala de exibição. Porque, claro, era pra ter certeza que toda a sala deveria ouvir. Teve o que seria um pai com um casal de filhos, um adolescente e uma criança, que saíram absurdamente envergonhados da sessão, e o pai falando que quase não entendeu o que se falava no filme. Eu também saí extremamente desgostoso.

Enfim, é pra ter orgulho, é pra mostrar que "nasceu desse jeito", "don't be a drag, just be a queen", "beijinho no ombro", mas educação também é bom, e todo mundo gosta. Fica a dica.


#1 - Antes do filme acabar
Filme: Antes da Meia-Noite

Essa talvez seja a história mais simples, e talvez menos enervante, mas que sintetiza bem o perfil de quem vai ao cinema em Manaus hoje em dia.

Estamos na sala de "Antes da Meia-Noite". Filme de Richard Linklater, terceiro capítulo da série famosa de filmes que, basicamente, são as DRs mais amadas pelos cinéfilos. E que só estreou em Manaus por intermédio de muita insistência, ou seja, quem fosse ver o filme já sabia de como ele era, e era fã dele por conta disso.

Após uns dez minutos da sessão começar, duas garotas entram. Acontece aquilo que geralmente se vê pessoas atrasadas fazendo: uma reclama que não enxerga nada, outra pergunta se está com a pipoca, risos quando uma quase tropeça... Detalhe que a sala nem estava cheia para demorarem tanto a achar lugar. E acharam. Exatamente do meu lado. Sou uma pessoa sortuda.

O filme continuava e elas não paravam de falar. Tentavam ver o filme, mas passava uns 30 segundos, voltavam a conversar de coisas mundanas. Falavam, conferiam o Whatsapp, comiam, riam... e no meio de tudo isso, sempre vinha o comentário: "Esse filme é chato, né?". "Não acontece nada". Depois de uns dez minutos enrolando, elas decidem sair da sala de exibição.

O que mais me marcou dessa história foi a frase de uma delas enquanto desciam para a saída. De forma apoteótica, e que merecia estar em um filme, ela solta: "Esse filme nem é engraçado. Eles só ficam falando...". E assim mais uma pessoa aprende que nem todo romance em filme é, necessariamente, uma comédia romântica.


Somando com a proeza dos cinemas de Manaus de deixarem as sessões legendadas em horários absurdos - alguns, como o Cinemark e o Cinemais do Manaus Plaza nem apresentam mais essa opção -, eu estou cada vez mais considerando esperar o filme sair em DVD ou blu-ray. É uma pena que isso aconteça, mas não vale a pena gastar dinheiro para ter tanto estresse.

Eu nunca falaria contra a popularização do cinema, como muitos falam. Não acho que o problema é que a "nova classe média" agora lota as salas e prefira filmes dublados. Nem acho que eles são o fruto do mau comportamento nas salas de exibição, já vi muita gente RHYCA de Manaus fazer a mesma coisa, especialmente seus rebentos, lindos, fofos e mimados. Mas que é preciso que se reeduque pessoas para que elas saibam assistir um filme, isso é inegável, ou então a gente perde toda uma experiência, lindamente escamoteada pela indústria cultural.

E é preciso que eduquem os motoqueiros a não passarem à direita do ônibus, arriscando a atropelar quem está descendo nos pontos. Só uma observação.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pela cidade: Mesa-redonda de crítica cinematográfica

Lembram como sempre me pediam para fazer posts sobre eventos culturais de Manaus? Bem, estou inaugurando uma seção no blog sobre tais eventos hoje! Espero conseguir manter essa seção constante, hahaha...


Mas vamos ao que interessa: essa semana vai acontecer um encontro muito interessante para quem é fã da sétima arte. O Cine Set, site de críticas de cinema do Amazonas, estará promovendo nesta quarta-feira, dia 22 de outubro, um encontro de estudiosos de cinema para debater sobre a crítica de cinema produzida aqui na região. E apesar que a ideia seja muito interessante para estudantes de comunicação, especialmente os que aspiram a se tornarem jornalistas de cultura ou críticos, o objetivo é conversar sobre como todo mundo pode aprender a assistir filmes sob um olhar mais crítico, não só por puro entretenimento.

Além de integrantes do próprio Cine Set, a mesa-redonda conta com a presença de pessoas como Isabel Wittmann, integrante do site Cinema em Cena, especialista na análise de figurinos; José Gaspar, pioneiro da crítica no Amazonas ao criar a Revista Cinéfilo, a primeira do gênero da Região Norte na década de 60 e Gustavo Soranz, professor da Uninorte e pesquisador de cinema e audiovisual. Aliás, foi o Gustavo quem criou o cineclube Silvino Santos do Uninorte, do qual eu fiz parte por praticamente toda a minha vida acadêmica. Enfim, presenças de peso sobre um assunto que eu acho que precisa se desenvolver entre o povo de Manaus.

 Fonte: Cine Set

Para esclarecer mais sobre o evento, abordei Susy Freitas, uma das integrantes do Cine Set responsável pela mesa-redonda - e uma grande amiga, hehe - e que tem um belo currículo como crítica de cinema. Além do que vai acontecer, perguntei sua opinião sobre como andam as coisas pra quem quer ser um crítico cinematográfico. A minha primeira entrevista para o "Em Outras Palavras...", yay!... (★^O^★)

Do que se trata a mesa-redonda? Como surgiu a ideia de fazê-la?
Trata-se da primeira mesa-redonda organizada pelo site Cine Set, que acontece nessa quarta-feira, 22, na Livraria Saraiva. Ela tem como tema Cinefilia e Crítica Cinematográfica, ou seja, o prazer de assistir, apreciar e falar sobre filmes e a produção analítica sobre eles. Organizar esse espaço de debate era um plano antigo da equipe do Cine Set para popularizar o tema e mostrar ao público em geral que qualquer um pode assistir a filmes de maneira reflexiva, que isso não é necessariamente um “privilégio” de um segmento intelectual específico. Agora que lançamos nosso site próprio, pareceu adequado comemorar dividindo esse momento através do debate.

Qual é a importância de se desenvolver a formação de críticos de cinema no Amazonas? Como anda essa área no mercado em nossa região?
Vejo a crítica com um papel muito interessante de registro sobre as obras audiovisuais locais. Percebe-se que a sua produção acompanha o próprio ressurgimento da produção audiovisual, impulsionada pela popularização do vídeo digital. Se levarmos em consideração o esforço de pesquisadores como o professor Narciso Lobo, a professora Selda Vale e, mais recentemente, o professor Gustavo Soranz para tentar manter o registro vivo e recontar o audiovisual amazonense, e se lembrarmos como o crítico José Gaspar só reeditou os textos da Revista Cinéfilo, dos anos 1960, há pouco tempo atrás, vemos que a simples manutenção do registro de que esses filmes e críticas existiram algum dia no tempo e no espaço não é uma tarefa tão simples assim. Além disso, há o caráter de análise sobre esses filmes, que culmina na proposição de um cinema de identidade amazônica, amazonense ou como se queira propor em nível teórico. Do meu ponto de vista, mesmo o texto mais rudimentar sobre um filme local tem grande importância, pois é uma maneira de refletir acerca do que aquela produção significa para nós e sobre nós. Sobre como é essa área em nossa região, não creio que podemos aplicar o termo “mercado” nessa discussão. Os jornais minam cada vez mais suas páginas culturais, e aí se perde o potencial espaço da crítica, isso em nível nacional mesmo; na web, vemos sites como o Cinema em Cena, que tem quase 20 anos de trajetória, quase terminar por dificuldades de arrecadar o suficiente para expandir suas atividades. A crítica é feita, antes de tudo, por cinéfilos, amantes do cinema, e raramente isso casa com alguma receita de sucesso em termos mercadológicos.

Acha que a formação de entendidos de cinema, seja como críticos profissionais ou cinéfilos, teria impacto no desenvolvimento da produção cinematográfica local?
Se não tem, deveria, mas vejo como uma influencia indireta. A crítica têm como pressuposto básico o fato de que o filme deve ser desconstruído em seus elementos básicos para ser analisado; esse processo de desconstrução e posterior interpretação demandam do autor-crítico um conhecimento da linguagem cinematográfica e o desenvolvimento de uma sensibilidade. Ora, sensibilidade e conhecimento técnico é justamente o que se demanda de um realizador, e tudo isso perpassa o ver e o pensar sobre filmes. Não imagino um bom diretor de cinema sem leitura, sem background teórico e técnico, embora seja isso que vejamos algumas vezes em nível local, sendo justamente esse tipo de pessoa que apresenta uma recepção mais negativa ao trabalho do crítico, pois não entende como pode se apropriar desse conhecimento para seu benefício. Ao invés disso, preferem propagar a ideia de que o crítico é um ser frustrado, que queria ser cineasta, e porque não consegue ser, “critica”. É uma visão pueril. Para fazer bons filmes, a capacidade de análise deve ser aguçada, mas para criticar filmes, não é preciso ser um cineasta, embora grandes realizadores tenham sido também críticos e teóricos, tais como Eisenstein ou Truffaut. Voltando ao contexto local, creio que qualquer oportunidade de ler e aprender o que quer que seja sobre filmes é algo bom para um realizador, esse ser que já é herói só pela teimosia de fazer cinema aqui; já o crítico é um coadjuvante nesse processo.

O debate promete, não? Reforçando, a mesa-redonda começa às 19h desta quarta, dia 22, no Espaço Thiago de Melo da Livraria Saraiva, Manauara Shopping. Ah, e antes que esqueça: o evento é GRATUITO! Nada de desculpas, compareça e vá conversar um pouco sobre cinema. ;)
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Mesa-redonda Cinefilia e Crítica de Cinema
Quando: Quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Local: Espaço Thiago de Melo - Livraria Saraiva
Preço: Gratuito

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Gengoroh Tagame estreia em revista seinen

Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Finalmente uma notícia interessante sobre um autor de gay mangá. Ontem, 25 de setembro, saiu a revista Gekkan Action edição de novembro com uma grande estreia: um mangá do famoso Gengoroh Tagame. Sim, Tagame escrevendo um mangá em revista seinen!

Intitulada de Otouto no Otto (O marido do meu irmão), o mangá conta a história de Yaichi, um japonês, e sua filha Kana, que recebem a visita de Mike, um canadense que é casado com o irmão gêmeo de Yaichi. O mangá vai focar na convivência entre eles, abordando assuntos da vida gay moderna. Segue parte do depoimento do Tagame em seu site sobre a nova empreitada:

É um novo desafio para mim desenhar um mangá lidando com assuntos gays na modernidade para leitores heterossexuais. E claro, eu quero que ele seja interessante para leitores gays também!

"Otouto no Otto" ganhou a capa e ilustração de abertura do capítulo da edição de novembro da Gekkan Action, vejam abaixo as imagens:

Gekkan Action cover, Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Para se ter uma ideia, a revista Gekkan Action já teve em sua publicação mangás como "Crayon Shin-chan" e "Oldboy", este atualmente publicado no Brasil pela Sampa.

Por ser uma revista seinen, obviamente, os assuntos abordados são os mais abrangentes e variados possíveis, então não é algo tão anormal ver um mangá que aborde assuntos gays em uma publicação dessas, mas é algo certamente desafiador para um público leitor de maioria masculino e heterossexual. O último título que ouvi falar que aborda a homossexualidade numa revista seinen é "Kinou Nani Tabeta?" da Fumi Yoshinaga.

Mas calma, fãs de gay mangá, há um porém: a história, mesmo que tenha um protagonista gay, não é necessariamente um "bara", ou seja, sem cenas explícitas de sexo. Creio que pode ser definido como um "gay mangá" dentro de uma publicação seinen, mas o foco do mangá não será o erotismo, obviamente. Aliás, pelas ilustrações, a história parece ter um jeitão "Usagi Drop" de ser, um mangá slice of life. Espero que não demore muito para compilarem, ou que ao menos algum scanlation se interesse em traduzir.

A revista está à venda desde ontem, mas eu não procurei um site para comprá-la, ainda vou cavocar na CDJapan ou Amazon japonesa para ver se ela estaria disponível... Mas para quem entende japonês, deixo aqui o endereço do site da revista, é possível que lá tenha instruções de como comprar online. Mais notícias sobre eu dou por aqui, ou pelo menos, no meu Twitter. Vida corrida, sabe como é... ^^'''' De resto, boa sorte nesse novo projeto do Tagame.

Fontes: Facebook do Gengoroh Tagame | Gay Manga Tumblr

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Projeto "Canções": colabore comigo!


Este post marca o início de um projeto literário meu. A ideia é que, com a internet e as mídias sociais, muitas produções artísticas são produzidas em conjunto. Por exemplo, algo que me veio na cabeça agora é O Teatro Mágico e as colaborações que eles pedem dos fãs. Longe de mim dizer que tenho fãs, a questão é fazer algo com a colaboração de pessoas através da rede. Uma colaboração entre amigos virtuais, leitores, conhecidos...

Confesso que estou lançando isso meio que sem um planejamento, sem rigorosidade - ariano, hehehe! -, mas a intenção é mesmo ser um pouco espontâneo. Tão espontâneo que o projeto vai precisar da opinião de vocês pra andar. Mas comecemos do começo:

Projeto Canções - O que é?
Canções será um livro de contos que serão inspirados em músicas. Ao todo serão oito contos, e para cada um, oito músicas. Fácil, não? XD A ideia seria escrever contos que estivessem relacionados às músicas de alguma forma, podendo ser de uma maneira mais simples, como um evento que esteja relacionado a ela ou uma história que tivesse uma inspiração mais direta, como uma reinterpretação da música como conto, por exemplo. Enfim, são muitas as possibilidades.

Por que se inspirar em canções?
Porque eu AMO música. Demais. E acredito que muitas pessoas amam assim como eu. Que guardam cada momento com uma música específica, que vivem cantarolando algo, que possuem praticamente uma trilha sonora para o seu cotidiano guardada em seu mp3, iPod, smartphone, tanto faz... E sei de muita gente que escreve ou faz outras atividades criativas ouvindo música e as usando como inspiração.

E acho que o projeto seria interessante também para quem gosta de ler ouvindo música, como eu. Daí imagino como seria legal ter meio que uma "trilha sonora" pra acompanhar enquanto se lê a história inspirada por essas canções.


Como colaborar?
Das oito canções, eu decidi escolher quatro. As outras quatro eu quero deixar em aberto para sugestões do público.

Inicialmente, eu irei coletar várias sugestões através de um formulário. De 16 de julho de 2014 até 31 de agosto (data prorrogada!) vocês podem clicar aqui para preencher o formulário com uma sugestão de música (você pode preencher o questionário aqui, no fim deste post). Vocês podem preencher o formulário quantas vezes quiser, sugerir quantas músicas quiser, mas só preencham com UMA MÚSICA cada formulário. Isso facilitará pra mim para coletar os dados depois.

Após o período de sugestões, vou pegar todos os nomes de músicas sugeridos e vou abrir uma enquete aqui no blog em setembro, onde as quatro mais votadas serão as escolhidas para basear os contos.

Caso as músicas escolhidas coincidam com as que eu escolhi... eu vou escolher outras. Simples, não? XD

Posso sugerir qualquer música? QUALQUER música?
Sim, pode. A proposta é a de tentar ser o mais criativo possível. Sei que isso pode dar margem pra trollagem, mas quero deixar as possibilidades bem amplas...

Como será o livro? Quando será lançado? Eu poderei ter um depois?
Eu espero estar finalizando e lançando o livro no final de 2015, que será disponibilizado como livro digital. Vou orçamentar quanto seria lançá-lo como livro físico, mas acho que isso levaria mais tempo já que é um projeto independente. Por isso, é certo que ele será lançado como livro digital, pois além de ser uma ferramenta mais em conta para ser lançado por um autor independente, ele custaria mais barato para quem quiser adquiri-lo.

Como degustação, eu estarei disponibilizando dois contos do livro para download antes do lançamento oficial do livro. Um de sugestão minha, outro de sugestão do público.

É possível que eu disponibilize um livro de graça para quem sugerir um dos quatro contos selecionados, além de participar da página de agradecimentos. E só digo "possível" porque ainda terei de descobrir como disponibilizar um download de livro digital de graça LOL mas é certo que quem colaborou terá o seu como agradecimento.

Qualquer dúvida, é só me dar um toque no Twitter: @diegohatake. Através dele, além do blog, é que eu vou dar notícias sobre à quantas anda o projeto.

Então... Que tal dar logo sua sugestão aí embaixo? Desde já agradeço. "E vamos à luta!...".

domingo, 13 de julho de 2014

Aquele falando um pouco de cosplay (ou "Como não esquecer do essencial")


Como deixei claro antes, este é um blog pessoal, por mais que não pareça. Então, me reservo o direito de não só ficar dando notícias de gay mangá, mas também de falar um pouco do que martela esta linda cabecinha...

Ultimamente eu me peguei me divertindo horrores com o último vídeo do D-Piddy, em que ele faz cosplay do Luigi e sua "cara de mau" do jogo Mario Kart 8. Primeiro, porque o vídeo é engraçado pra caramba - antes que algum imbecil alguém fale: primeiro, ele pediu permissão dos cosplayers antes de jogar o casco; segundo, o casco é um plushie, garanto que ninguém ia morrer com uma pancada de um casco de pelúcia e nenhum cosplay ia se desmanchar, só se fosse feito de papel de seda ou algo do tipo - e depois porque ele me lembra o que me levou a fazer cosplay, que é essencial pra essa coisa toda: a diversão.

O D-Piddy parece se divertir como nunca, e todo mundo que participa do vídeo também. Eu imediatamente comecei a pensar em como eu me divertia quando vestia as roupas das minhas personagens favoritas. E como ir a eventos era divertido, lá conheci pessoas, fiz amizades que duram até hoje. Enfim, saudosismo bateu forte.

Eu sempre digo que fui "arrancado" do cosplay quando eu ainda estava "engatinhando" no hobby. Engatinhando porque só tive três anos de cosplay. Meu primeiro cosplay foi em 2007, e em 2009 fiz meus dois últimos cosplays. Logo depois eu decidi fazer a faculdade de jornalismo pra, bem, ter algum futuro. Daí, decidi deixar de gastar com coisas como cosplay pra poder pagar a faculdade. Ao final dela, eu esperava que ela me daria oportunidades pra depois fazer mais cosplays... O resultado é que, desempregado, estou sem cosplay e sem oportunidades. LOL Mas esse não é meu ponto. A questão é que as coisas mudaram, ao menos na minha visão.

Os eventos de anime e cultura japonesa em Manaus não se desenvolveram. Fora os pequenos eventos da Nippaku, dois eventos praticamente morreram e só sobrou um... Um evento de anime que tem muitas, muitas coisas mesmo. Menos anime. Os frequentadores também mudaram. Em vez de fãs, muitos são apenas curiosos ou as famílias desses curiosos. Alguns vão pra ver um show de rock, ou algum ator que foi um Power Ranger que quase ninguém lembra. Os que eram fãs que frequentavam eventos na minha época simplesmente desistiram dos eventos, seja por não gostarem de como eles ficaram, seja por "compromissos de uma vida adulta". Quando fui em um AJP uma vez para fazer uma matéria para um trabalho de faculdade, me senti um peixe super fora d'água, como há tempos não me sentia.

E, bem, não posso falar muito do cenário cosplay daqui porque estaria beirando ao sensacionalismo, ou poderiam achar que se trata de alguma vendetta. A questão é que amizades de anos se acabaram, outras amizades impensáveis se formaram... mas a briga de egos continua. Aliás, sempre teve e acho que sempre terá, pessoas são assim. Talvez isso seja o que me dói mais: quero voltar a fazer cosplays, mas não tenho amigos com quem fazer junto - a maioria dos que conhecia que faziam pela diversão desistiram pela opressão dos que fazem para ganhar competições/dinheiro/fama (?) - , e nem onde fazer. Tem os que fazem cosplay apenas para fazer ensaios, tirar fotos... mas confesso que gostava era de apresentar em eventos o meu cosplay, sabe? Tirar fotos, me comunicar com outros cosplayers ou fãs do personagem que estou vestindo. Eu fiquei pasmo quando encontrei pessoas (duas só) que sabiam que eu estava fazendo cosplay do Turbo, de Dragon Tiger Gate.

De fato, os cosplayers de Manaus evoluíram muito. Na minha época, sete anos atrás, ainda se via muito improviso, o que era legal. Nada contra o povo agora que clama pela perfeição, é a escolha de quem quiser, mas isso parece que tira o espaço de quem quer cosplayar apenas pra se divertir. Hoje eu vejo muitos cosplayers ditos profissionais que abrem página no YouTube ou fazem vlogs pra ensinar como se deve fazer um cosplay e acho isso um saco. Não são todos, existem uns que realmente querem ajudar, com tutorial de maquiagem, costura etc., porém uns são feitos apenas por gente pretensiosa, que assim como um Felipe Neto da vida - que odeio -, querem ensinar a você não só a como cosplayar, mas a como se portar pra ser "considerado" um cosplayer, sabe? Muito cheios de "pode", "não pode", assim como aqueles moleques que se podia encontrar em eventos que julgava quem podia fazer cosplay ou não. Tem um desses vlogueiros, aliás, que não vou citar nome, mas a pessoa fez um vídeo em que afirmava que cospobres ou "cosplays inacabados" não eram cosplays, e que a pessoa nem deveria se dar ao trabalho de sair na rua com algo assim, tá boa? XD Digo, no "play" da coisa quase ninguém pensa. Agora não querem ensinar somente, querem mesmo é obrigar a alcançarem um padrão que, necessariamente, nem todo mundo está interessado. Pra quem quer competir num WCS talvez tal padrão seja necessário, mas e quem só quer... brincar? E sim, este discurso de "pode/não pode", ou "cosplay bom é x, ruim é y" existe desde muito tempo, mas ao menos em certas situações que observo entre cosplayers que conheço, esse tipo de comportamento está bem popular. As prioridades mudaram pra alguns, por mais que digam que não. E os que gostavam apenas de brincar, bem, arrumaram outra diversão que não estressasse tanto...

É estranho escrever tudo isso só pra dizer que estou com saudades de fazer cosplays, mas a questão é que estava chateado. Sem rumo, sem ideia de como ou por que continuar com cosplays em um contexto que, em sete anos, mudou muito e que nada me agrada. Mas aí lembro que, apesar de umas frutas podres no meio, ainda há pessoas como o D-Piddy ou um Ryan Frye que me fazem lembrar do que mais gosto nisso e porque ainda devo persistir. Desde 2007 eu meio que vou contra a corrente desse povo do "cosplay perfeito", acho justo não parar agora, certo? Afinal, como dizem, "tô pagando", então... Não sei se rola esse ano - estou caçando uma costureira desde o ano passado! - mas é certo que voltarei a pavonear por aí, e em algum evento! Mesmo disputando lugar com gente que foi assistir show do ForFun, Luan Santana... Só tenho de lembrar do que é essencial pra mim.

É, acho que algumas coisas nunca mudam... Então, que a brincadeira continue!

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