sábado, 25 de outubro de 2014

5 horríveis experiências vendo filmes nos cinemas manauaras


Com o passar dos anos, é incrível notar como a experiência de ir ao cinema ver um filme piorou. E muito. E não, eu não vivi há tanto tempo, tenho só 27 anos. Mas entre as sessões no começo do ano 2000 em que eu via uma sala inteira do Cinemark caladinha pra ver a estreia do filme do Homem-Aranha (o do Sam Raimi, não o lixo do reboot) e as últimas em que você precisa lidar com luzes de smartphone e conversinhas paralelas no meio do filme, digamos que eu percebo que, no mínimo, tem gente que ainda precisa aprender a como se portar no cinema.

Hoje resolvi contar cinco historinhas de experiências minhas no cinema que, além de lamentar os rumos da experiência de se ver um filme nos cinemas, também serve para entender porque muita gente está guardando dinheirinho pra ter seu home theater, e que a educação e a consideração ao próximo está cada vez mais esquecida. O título se refere ao manauara porque, bem, eu vivo em Manaus, e para ser bem sincero, eu acho que o povo de Manaus é muito mal educado. E não o faço olhando por cima, por muitas vezes eu já joguei lixo no chão, hoje eu guardo o lixo até achar uma lixeira, ou até chegar em casa. Acho que pra se corrigir, é preciso reconhecer os erros. E reconheço também que o povo de Manaus no cinema (e no trânsito também, mas isso fica pra outro post, talvez) é tão discreto quanto um elefante caminhando dentro de um shopping. Não tem como não notar, e me desculpem se isso soa elitista (o que acho absurdo), mas eu valorizo a educação. Pena que isso não é um pensamento comum.

E sim, todas as histórias são verdadeiras.

#5 - Filhos de Galvão Bueno
Filme: Tron: O Legado

Acredito que não há coisa pior do que pessoas que NARRAM o que está acontecendo no filme. Nessa ocasião, tive a sorte que dois adolescentes, possivelmente criados sob a influência de Pânico na TV e 4:20, sentassem atrás de mim e comentassem tudo no maior estilo Beavis e Butt-Head comentando clipes:

"O filme tá começando!"
"Ele está andando de moto!"
"Nooooossa, eles vão lutar!"
"Man, você viu isso saltando na tela?"
- a sessão era em 3D
"Ele está entrando no jogo!"
"Viadinho, viadinho!"
- quando aparece o personagem do Michael Sheen
"O filme está acabando..."

A melhor de todas é quando uma das personagens se fere e então:
"Caraca, é sangue?"

Ao menos Beavis e Butt-Head eram genuinamente engraçados. E mais inteligentes, suspeito.


#4 - Sou uma diva
Filme: Malévola

Essa história eu já tinha contado parcialmente na minha resenha sobre o filme. O supra-sumo da vergonha alheia: um jovem, suspeito que apaixonado pela Angelina Jolie, sentou do meu lado (eu atraio esse povo!). Durante o começo do filme, tudo tranquilo, mas bastou a atriz aparecer na tela que ele não se controlava. Era "linda" pra cá, "poderosa" pra lá, e os adjetivos mais gays que você imaginar pra uma atriz.

Mas o pior era que ele já tinha visto o filme antes, e várias vezes, suponho. Ele declamava toda santa fala que saía da boca da Malévola. Na metade do filme, não aguentei. Me virei e falei: "Você vai mesmo falar junto do filme o tempo todo?". De repente o moço se calou e logo após dois minutos, se mudou pra outra poltrona e lá ficou. Caladinho.


#3 - Discurso interrompido
Filme: O Discurso do Rei

"O Discurso do Rei" não é um filme que o público manauara vai correndo ver no cinema. De fato, eu fui uns poucos dias após a estreia (e se não me engano, o filme só estreou APÓS a indicação ao Oscar), e a sala enorme tinha algo entre 10 a 15 espectadores. "Nada mau", pensei, "ao menos terá silêncio". HA!

Na metade do filme, eis que um celular toca - alguém ESQUECEU de ao menos colocar o celular no silencioso, mesmo depois daquele aviso antes do filme, que coisa!!! - e a pessoa, em vez de desligar o bendito aparelho, começa a falar no telefone! E não era conversa estilo "Depois te ligo, tô no cinema", era uma conversa completa, com direito a perguntar como vai a família, o que estava se passando, se o cachorrinho já comeu... E a voz estava em tom normal, nem se deu ao trabalho de baixar a voz. Enfim, foi preciso que uma senhora - haviam duas de cabelo beeem branquinho vendo o filme, raramente vejo gente idosa no cinema - fosse ralhar com a criatura pra que ela desligasse o celular.

Agora me expliquem: dá pra entender alguém que paga quase vinte reais de ingresso pra conversar no celular?


#2 - Sou uma diva parte 2
Filme: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Ver "Malévola" foi uma tortura, mas nada pior do que ver "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" no que seria o último dia de exibição em Manaus (depois estenderam a exibição, uma pena eu ter descoberto tão tarde). Se o carinha surtando pela Angelina Jolie foi um horror, imagina uma fileira inteira de gays da geração Lady Gaga surtando pelo filme.

O mesmo de sempre: os que já tinham visto o filme várias vezes recitavam as falas, havia os que faziam observações brilhantes sobre o que se passava no filme - "Olha, ela está bêbada! *risos*", havia os que xingavam o personagem homofóbico toda vez que ele aparecia  - "Eu ODEEEEEEEEIO esse garoto!", havia os que faziam comentários açucarados extremamente vergonhosos e até choravam - mesmo! - em todos, TODOS os beijos entre o Leonardo e Gabriel, havia os que faziam comentários extremamente pornográficos durante as cenas de nudez e havia os que faziam piadinhas gays, geralmente com conteúdo pop - "Esse menino é mais vesgo que a Wanessa Camargo". E tudo isso GRITANDO em plena sala de exibição. Porque, claro, era pra ter certeza que toda a sala deveria ouvir. Teve o que seria um pai com um casal de filhos, um adolescente e uma criança, que saíram absurdamente envergonhados da sessão, e o pai falando que quase não entendeu o que se falava no filme. Eu também saí extremamente desgostoso.

Enfim, é pra ter orgulho, é pra mostrar que "nasceu desse jeito", "don't be a drag, just be a queen", "beijinho no ombro", mas educação também é bom, e todo mundo gosta. Fica a dica.


#1 - Antes do filme acabar
Filme: Antes da Meia-Noite

Essa talvez seja a história mais simples, e talvez menos enervante, mas que sintetiza bem o perfil de quem vai ao cinema em Manaus hoje em dia.

Estamos na sala de "Antes da Meia-Noite". Filme de Richard Linklater, terceiro capítulo da série famosa de filmes que, basicamente, são as DRs mais amadas pelos cinéfilos. E que só estreou em Manaus por intermédio de muita insistência, ou seja, quem fosse ver o filme já sabia de como ele era, e era fã dele por conta disso.

Após uns dez minutos da sessão começar, duas garotas entram. Acontece aquilo que geralmente se vê pessoas atrasadas fazendo: uma reclama que não enxerga nada, outra pergunta se está com a pipoca, risos quando uma quase tropeça... Detalhe que a sala nem estava cheia para demorarem tanto a achar lugar. E acharam. Exatamente do meu lado. Sou uma pessoa sortuda.

O filme continuava e elas não paravam de falar. Tentavam ver o filme, mas passava uns 30 segundos, voltavam a conversar de coisas mundanas. Falavam, conferiam o Whatsapp, comiam, riam... e no meio de tudo isso, sempre vinha o comentário: "Esse filme é chato, né?". "Não acontece nada". Depois de uns dez minutos enrolando, elas decidem sair da sala de exibição.

O que mais me marcou dessa história foi a frase de uma delas enquanto desciam para a saída. De forma apoteótica, e que merecia estar em um filme, ela solta: "Esse filme nem é engraçado. Eles só ficam falando...". E assim mais uma pessoa aprende que nem todo romance em filme é, necessariamente, uma comédia romântica.


Somando com a proeza dos cinemas de Manaus de deixarem as sessões legendadas em horários absurdos - alguns, como o Cinemark e o Cinemais do Manaus Plaza nem apresentam mais essa opção -, eu estou cada vez mais considerando esperar o filme sair em DVD ou blu-ray. É uma pena que isso aconteça, mas não vale a pena gastar dinheiro para ter tanto estresse.

Eu nunca falaria contra a popularização do cinema, como muitos falam. Não acho que o problema é que a "nova classe média" agora lota as salas e prefira filmes dublados. Nem acho que eles são o fruto do mau comportamento nas salas de exibição, já vi muita gente RHYCA de Manaus fazer a mesma coisa, especialmente seus rebentos, lindos, fofos e mimados. Mas que é preciso que se reeduque pessoas para que elas saibam assistir um filme, isso é inegável, ou então a gente perde toda uma experiência, lindamente escamoteada pela indústria cultural.

E é preciso que eduquem os motoqueiros a não passarem à direita do ônibus, arriscando a atropelar quem está descendo nos pontos. Só uma observação.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pela cidade: Mesa-redonda de crítica cinematográfica

Lembram como sempre me pediam para fazer posts sobre eventos culturais de Manaus? Bem, estou inaugurando uma seção no blog sobre tais eventos hoje! Espero conseguir manter essa seção constante, hahaha...


Mas vamos ao que interessa: essa semana vai acontecer um encontro muito interessante para quem é fã da sétima arte. O Cine Set, site de críticas de cinema do Amazonas, estará promovendo nesta quarta-feira, dia 22 de outubro, um encontro de estudiosos de cinema para debater sobre a crítica de cinema produzida aqui na região. E apesar que a ideia seja muito interessante para estudantes de comunicação, especialmente os que aspiram a se tornarem jornalistas de cultura ou críticos, o objetivo é conversar sobre como todo mundo pode aprender a assistir filmes sob um olhar mais crítico, não só por puro entretenimento.

Além de integrantes do próprio Cine Set, a mesa-redonda conta com a presença de pessoas como Isabel Wittmann, integrante do site Cinema em Cena, especialista na análise de figurinos; José Gaspar, pioneiro da crítica no Amazonas ao criar a Revista Cinéfilo, a primeira do gênero da Região Norte na década de 60 e Gustavo Soranz, professor da Uninorte e pesquisador de cinema e audiovisual. Aliás, foi o Gustavo quem criou o cineclube Silvino Santos do Uninorte, do qual eu fiz parte por praticamente toda a minha vida acadêmica. Enfim, presenças de peso sobre um assunto que eu acho que precisa se desenvolver entre o povo de Manaus.

 Fonte: Cine Set

Para esclarecer mais sobre o evento, abordei Susy Freitas, uma das integrantes do Cine Set responsável pela mesa-redonda - e uma grande amiga, hehe - e que tem um belo currículo como crítica de cinema. Além do que vai acontecer, perguntei sua opinião sobre como andam as coisas pra quem quer ser um crítico cinematográfico. A minha primeira entrevista para o "Em Outras Palavras...", yay!... (★^O^★)

Do que se trata a mesa-redonda? Como surgiu a ideia de fazê-la?
Trata-se da primeira mesa-redonda organizada pelo site Cine Set, que acontece nessa quarta-feira, 22, na Livraria Saraiva. Ela tem como tema Cinefilia e Crítica Cinematográfica, ou seja, o prazer de assistir, apreciar e falar sobre filmes e a produção analítica sobre eles. Organizar esse espaço de debate era um plano antigo da equipe do Cine Set para popularizar o tema e mostrar ao público em geral que qualquer um pode assistir a filmes de maneira reflexiva, que isso não é necessariamente um “privilégio” de um segmento intelectual específico. Agora que lançamos nosso site próprio, pareceu adequado comemorar dividindo esse momento através do debate.

Qual é a importância de se desenvolver a formação de críticos de cinema no Amazonas? Como anda essa área no mercado em nossa região?
Vejo a crítica com um papel muito interessante de registro sobre as obras audiovisuais locais. Percebe-se que a sua produção acompanha o próprio ressurgimento da produção audiovisual, impulsionada pela popularização do vídeo digital. Se levarmos em consideração o esforço de pesquisadores como o professor Narciso Lobo, a professora Selda Vale e, mais recentemente, o professor Gustavo Soranz para tentar manter o registro vivo e recontar o audiovisual amazonense, e se lembrarmos como o crítico José Gaspar só reeditou os textos da Revista Cinéfilo, dos anos 1960, há pouco tempo atrás, vemos que a simples manutenção do registro de que esses filmes e críticas existiram algum dia no tempo e no espaço não é uma tarefa tão simples assim. Além disso, há o caráter de análise sobre esses filmes, que culmina na proposição de um cinema de identidade amazônica, amazonense ou como se queira propor em nível teórico. Do meu ponto de vista, mesmo o texto mais rudimentar sobre um filme local tem grande importância, pois é uma maneira de refletir acerca do que aquela produção significa para nós e sobre nós. Sobre como é essa área em nossa região, não creio que podemos aplicar o termo “mercado” nessa discussão. Os jornais minam cada vez mais suas páginas culturais, e aí se perde o potencial espaço da crítica, isso em nível nacional mesmo; na web, vemos sites como o Cinema em Cena, que tem quase 20 anos de trajetória, quase terminar por dificuldades de arrecadar o suficiente para expandir suas atividades. A crítica é feita, antes de tudo, por cinéfilos, amantes do cinema, e raramente isso casa com alguma receita de sucesso em termos mercadológicos.

Acha que a formação de entendidos de cinema, seja como críticos profissionais ou cinéfilos, teria impacto no desenvolvimento da produção cinematográfica local?
Se não tem, deveria, mas vejo como uma influencia indireta. A crítica têm como pressuposto básico o fato de que o filme deve ser desconstruído em seus elementos básicos para ser analisado; esse processo de desconstrução e posterior interpretação demandam do autor-crítico um conhecimento da linguagem cinematográfica e o desenvolvimento de uma sensibilidade. Ora, sensibilidade e conhecimento técnico é justamente o que se demanda de um realizador, e tudo isso perpassa o ver e o pensar sobre filmes. Não imagino um bom diretor de cinema sem leitura, sem background teórico e técnico, embora seja isso que vejamos algumas vezes em nível local, sendo justamente esse tipo de pessoa que apresenta uma recepção mais negativa ao trabalho do crítico, pois não entende como pode se apropriar desse conhecimento para seu benefício. Ao invés disso, preferem propagar a ideia de que o crítico é um ser frustrado, que queria ser cineasta, e porque não consegue ser, “critica”. É uma visão pueril. Para fazer bons filmes, a capacidade de análise deve ser aguçada, mas para criticar filmes, não é preciso ser um cineasta, embora grandes realizadores tenham sido também críticos e teóricos, tais como Eisenstein ou Truffaut. Voltando ao contexto local, creio que qualquer oportunidade de ler e aprender o que quer que seja sobre filmes é algo bom para um realizador, esse ser que já é herói só pela teimosia de fazer cinema aqui; já o crítico é um coadjuvante nesse processo.

O debate promete, não? Reforçando, a mesa-redonda começa às 19h desta quarta, dia 22, no Espaço Thiago de Melo da Livraria Saraiva, Manauara Shopping. Ah, e antes que esqueça: o evento é GRATUITO! Nada de desculpas, compareça e vá conversar um pouco sobre cinema. ;)
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Mesa-redonda Cinefilia e Crítica de Cinema
Quando: Quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Local: Espaço Thiago de Melo - Livraria Saraiva
Preço: Gratuito

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Gengoroh Tagame estreia em revista seinen

Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Finalmente uma notícia interessante sobre um autor de gay mangá. Ontem, 25 de setembro, saiu a revista Gekkan Action edição de novembro com uma grande estreia: um mangá do famoso Gengoroh Tagame. Sim, Tagame escrevendo um mangá em revista seinen!

Intitulada de Otouto no Otto (O marido do meu irmão), o mangá conta a história de Yaichi, um japonês, e sua filha Kana, que recebem a visita de Mike, um canadense que é casado com o irmão gêmeo de Yaichi. O mangá vai focar na convivência entre eles, abordando assuntos da vida gay moderna. Segue parte do depoimento do Tagame em seu site sobre a nova empreitada:

É um novo desafio para mim desenhar um mangá lidando com assuntos gays na modernidade para leitores heterossexuais. E claro, eu quero que ele seja interessante para leitores gays também!

"Otouto no Otto" ganhou a capa e ilustração de abertura do capítulo da edição de novembro da Gekkan Action, vejam abaixo as imagens:

Gekkan Action cover, Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Otouto no Otto (弟の夫), by Gengoroh Tagame

Para se ter uma ideia, a revista Gekkan Action já teve em sua publicação mangás como "Crayon Shin-chan" e "Oldboy", este atualmente publicado no Brasil pela Sampa.

Por ser uma revista seinen, obviamente, os assuntos abordados são os mais abrangentes e variados possíveis, então não é algo tão anormal ver um mangá que aborde assuntos gays em uma publicação dessas, mas é algo certamente desafiador para um público leitor de maioria masculino e heterossexual. O último título que ouvi falar que aborda a homossexualidade numa revista seinen é "Kinou Nani Tabeta?" da Fumi Yoshinaga.

Mas calma, fãs de gay mangá, há um porém: a história, mesmo que tenha um protagonista gay, não é necessariamente um "bara", ou seja, sem cenas explícitas de sexo. Creio que pode ser definido como um "gay mangá" dentro de uma publicação seinen, mas o foco do mangá não será o erotismo, obviamente. Aliás, pelas ilustrações, a história parece ter um jeitão "Usagi Drop" de ser, um mangá slice of life. Espero que não demore muito para compilarem, ou que ao menos algum scanlation se interesse em traduzir.

A revista está à venda desde ontem, mas eu não procurei um site para comprá-la, ainda vou cavocar na CDJapan ou Amazon japonesa para ver se ela estaria disponível... Mas para quem entende japonês, deixo aqui o endereço do site da revista, é possível que lá tenha instruções de como comprar online. Mais notícias sobre eu dou por aqui, ou pelo menos, no meu Twitter. Vida corrida, sabe como é... ^^'''' De resto, boa sorte nesse novo projeto do Tagame.

Fontes: Facebook do Gengoroh Tagame | Gay Manga Tumblr

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Projeto "Canções": colabore comigo!


Este post marca o início de um projeto literário meu. A ideia é que, com a internet e as mídias sociais, muitas produções artísticas são produzidas em conjunto. Por exemplo, algo que me veio na cabeça agora é O Teatro Mágico e as colaborações que eles pedem dos fãs. Longe de mim dizer que tenho fãs, a questão é fazer algo com a colaboração de pessoas através da rede. Uma colaboração entre amigos virtuais, leitores, conhecidos...

Confesso que estou lançando isso meio que sem um planejamento, sem rigorosidade - ariano, hehehe! -, mas a intenção é mesmo ser um pouco espontâneo. Tão espontâneo que o projeto vai precisar da opinião de vocês pra andar. Mas comecemos do começo:

Projeto Canções - O que é?
Canções será um livro de contos que serão inspirados em músicas. Ao todo serão oito contos, e para cada um, oito músicas. Fácil, não? XD A ideia seria escrever contos que estivessem relacionados às músicas de alguma forma, podendo ser de uma maneira mais simples, como um evento que esteja relacionado a ela ou uma história que tivesse uma inspiração mais direta, como uma reinterpretação da música como conto, por exemplo. Enfim, são muitas as possibilidades.

Por que se inspirar em canções?
Porque eu AMO música. Demais. E acredito que muitas pessoas amam assim como eu. Que guardam cada momento com uma música específica, que vivem cantarolando algo, que possuem praticamente uma trilha sonora para o seu cotidiano guardada em seu mp3, iPod, smartphone, tanto faz... E sei de muita gente que escreve ou faz outras atividades criativas ouvindo música e as usando como inspiração.

E acho que o projeto seria interessante também para quem gosta de ler ouvindo música, como eu. Daí imagino como seria legal ter meio que uma "trilha sonora" pra acompanhar enquanto se lê a história inspirada por essas canções.


Como colaborar?
Das oito canções, eu decidi escolher quatro. As outras quatro eu quero deixar em aberto para sugestões do público.

Inicialmente, eu irei coletar várias sugestões através de um formulário. De 16 de julho de 2014 até 31 de agosto (data prorrogada!) vocês podem clicar aqui para preencher o formulário com uma sugestão de música (você pode preencher o questionário aqui, no fim deste post). Vocês podem preencher o formulário quantas vezes quiser, sugerir quantas músicas quiser, mas só preencham com UMA MÚSICA cada formulário. Isso facilitará pra mim para coletar os dados depois.

Após o período de sugestões, vou pegar todos os nomes de músicas sugeridos e vou abrir uma enquete aqui no blog em setembro, onde as quatro mais votadas serão as escolhidas para basear os contos.

Caso as músicas escolhidas coincidam com as que eu escolhi... eu vou escolher outras. Simples, não? XD

Posso sugerir qualquer música? QUALQUER música?
Sim, pode. A proposta é a de tentar ser o mais criativo possível. Sei que isso pode dar margem pra trollagem, mas quero deixar as possibilidades bem amplas...

Como será o livro? Quando será lançado? Eu poderei ter um depois?
Eu espero estar finalizando e lançando o livro no final de 2015, que será disponibilizado como livro digital. Vou orçamentar quanto seria lançá-lo como livro físico, mas acho que isso levaria mais tempo já que é um projeto independente. Por isso, é certo que ele será lançado como livro digital, pois além de ser uma ferramenta mais em conta para ser lançado por um autor independente, ele custaria mais barato para quem quiser adquiri-lo.

Como degustação, eu estarei disponibilizando dois contos do livro para download antes do lançamento oficial do livro. Um de sugestão minha, outro de sugestão do público.

É possível que eu disponibilize um livro de graça para quem sugerir um dos quatro contos selecionados, além de participar da página de agradecimentos. E só digo "possível" porque ainda terei de descobrir como disponibilizar um download de livro digital de graça LOL mas é certo que quem colaborou terá o seu como agradecimento.

Qualquer dúvida, é só me dar um toque no Twitter: @diegohatake. Através dele, além do blog, é que eu vou dar notícias sobre à quantas anda o projeto.

Então... Que tal dar logo sua sugestão aí embaixo? Desde já agradeço. "E vamos à luta!...".

domingo, 13 de julho de 2014

Aquele falando um pouco de cosplay (ou "Como não esquecer do essencial")


Como deixei claro antes, este é um blog pessoal, por mais que não pareça. Então, me reservo o direito de não só ficar dando notícias de gay mangá, mas também de falar um pouco do que martela esta linda cabecinha...

Ultimamente eu me peguei me divertindo horrores com o último vídeo do D-Piddy, em que ele faz cosplay do Luigi e sua "cara de mau" do jogo Mario Kart 8. Primeiro, porque o vídeo é engraçado pra caramba - antes que algum imbecil alguém fale: primeiro, ele pediu permissão dos cosplayers antes de jogar o casco; segundo, o casco é um plushie, garanto que ninguém ia morrer com uma pancada de um casco de pelúcia e nenhum cosplay ia se desmanchar, só se fosse feito de papel de seda ou algo do tipo - e depois porque ele me lembra o que me levou a fazer cosplay, que é essencial pra essa coisa toda: a diversão.

O D-Piddy parece se divertir como nunca, e todo mundo que participa do vídeo também. Eu imediatamente comecei a pensar em como eu me divertia quando vestia as roupas das minhas personagens favoritas. E como ir a eventos era divertido, lá conheci pessoas, fiz amizades que duram até hoje. Enfim, saudosismo bateu forte.

Eu sempre digo que fui "arrancado" do cosplay quando eu ainda estava "engatinhando" no hobby. Engatinhando porque só tive três anos de cosplay. Meu primeiro cosplay foi em 2007, e em 2009 fiz meus dois últimos cosplays. Logo depois eu decidi fazer a faculdade de jornalismo pra, bem, ter algum futuro. Daí, decidi deixar de gastar com coisas como cosplay pra poder pagar a faculdade. Ao final dela, eu esperava que ela me daria oportunidades pra depois fazer mais cosplays... O resultado é que, desempregado, estou sem cosplay e sem oportunidades. LOL Mas esse não é meu ponto. A questão é que as coisas mudaram, ao menos na minha visão.

Os eventos de anime e cultura japonesa em Manaus não se desenvolveram. Fora os pequenos eventos da Nippaku, dois eventos praticamente morreram e só sobrou um... Um evento de anime que tem muitas, muitas coisas mesmo. Menos anime. Os frequentadores também mudaram. Em vez de fãs, muitos são apenas curiosos ou as famílias desses curiosos. Alguns vão pra ver um show de rock, ou algum ator que foi um Power Ranger que quase ninguém lembra. Os que eram fãs que frequentavam eventos na minha época simplesmente desistiram dos eventos, seja por não gostarem de como eles ficaram, seja por "compromissos de uma vida adulta". Quando fui em um AJP uma vez para fazer uma matéria para um trabalho de faculdade, me senti um peixe super fora d'água, como há tempos não me sentia.

E, bem, não posso falar muito do cenário cosplay daqui porque estaria beirando ao sensacionalismo, ou poderiam achar que se trata de alguma vendetta. A questão é que amizades de anos se acabaram, outras amizades impensáveis se formaram... mas a briga de egos continua. Aliás, sempre teve e acho que sempre terá, pessoas são assim. Talvez isso seja o que me dói mais: quero voltar a fazer cosplays, mas não tenho amigos com quem fazer junto - a maioria dos que conhecia que faziam pela diversão desistiram pela opressão dos que fazem para ganhar competições/dinheiro/fama (?) - , e nem onde fazer. Tem os que fazem cosplay apenas para fazer ensaios, tirar fotos... mas confesso que gostava era de apresentar em eventos o meu cosplay, sabe? Tirar fotos, me comunicar com outros cosplayers ou fãs do personagem que estou vestindo. Eu fiquei pasmo quando encontrei pessoas (duas só) que sabiam que eu estava fazendo cosplay do Turbo, de Dragon Tiger Gate.

De fato, os cosplayers de Manaus evoluíram muito. Na minha época, sete anos atrás, ainda se via muito improviso, o que era legal. Nada contra o povo agora que clama pela perfeição, é a escolha de quem quiser, mas isso parece que tira o espaço de quem quer cosplayar apenas pra se divertir. Hoje eu vejo muitos cosplayers ditos profissionais que abrem página no YouTube ou fazem vlogs pra ensinar como se deve fazer um cosplay e acho isso um saco. Não são todos, existem uns que realmente querem ajudar, com tutorial de maquiagem, costura etc., porém uns são feitos apenas por gente pretensiosa, que assim como um Felipe Neto da vida - que odeio -, querem ensinar a você não só a como cosplayar, mas a como se portar pra ser "considerado" um cosplayer, sabe? Muito cheios de "pode", "não pode", assim como aqueles moleques que se podia encontrar em eventos que julgava quem podia fazer cosplay ou não. Tem um desses vlogueiros, aliás, que não vou citar nome, mas a pessoa fez um vídeo em que afirmava que cospobres ou "cosplays inacabados" não eram cosplays, e que a pessoa nem deveria se dar ao trabalho de sair na rua com algo assim, tá boa? XD Digo, no "play" da coisa quase ninguém pensa. Agora não querem ensinar somente, querem mesmo é obrigar a alcançarem um padrão que, necessariamente, nem todo mundo está interessado. Pra quem quer competir num WCS talvez tal padrão seja necessário, mas e quem só quer... brincar? E sim, este discurso de "pode/não pode", ou "cosplay bom é x, ruim é y" existe desde muito tempo, mas ao menos em certas situações que observo entre cosplayers que conheço, esse tipo de comportamento está bem popular. As prioridades mudaram pra alguns, por mais que digam que não. E os que gostavam apenas de brincar, bem, arrumaram outra diversão que não estressasse tanto...

É estranho escrever tudo isso só pra dizer que estou com saudades de fazer cosplays, mas a questão é que estava chateado. Sem rumo, sem ideia de como ou por que continuar com cosplays em um contexto que, em sete anos, mudou muito e que nada me agrada. Mas aí lembro que, apesar de umas frutas podres no meio, ainda há pessoas como o D-Piddy ou um Ryan Frye que me fazem lembrar do que mais gosto nisso e porque ainda devo persistir. Desde 2007 eu meio que vou contra a corrente desse povo do "cosplay perfeito", acho justo não parar agora, certo? Afinal, como dizem, "tô pagando", então... Não sei se rola esse ano - estou caçando uma costureira desde o ano passado! - mas é certo que voltarei a pavonear por aí, e em algum evento! Mesmo disputando lugar com gente que foi assistir show do ForFun, Luan Santana... Só tenho de lembrar do que é essencial pra mim.

É, acho que algumas coisas nunca mudam... Então, que a brincadeira continue!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gay mangá: Takeshi Matsu e Mentaiko publicados pela Bruno Gmünder!


Sabe quando uma notícia lhe leva a derramar lágrimas de felicidade? Sei, parece exagero, mas pra quem me conhece sabe como eu adoraria, AMARIA, ter mangás do Takeshi Matsu na minha coleçãozinha de mangás... Bem, a editora Bruno Gmünder divulgou ontem - e eu perdi essa no dia, mesmo seguindo o Tumblr Gay Manga, nunca vou me perdoar - sua lista de lançamentos para o resto de 2014 e, claro, nela estão vários títulos de quadrinhos. Mas o que quase me matou de felicidade foi ver que, além de Fisherman's Lodge de Gengoroh Tagame - mangá que recentemente foi lançado na Itália, como descrito aqui -, serão lançados nos EUA mangás do Mentaiko (!!!) e do Takeshi Matsu (!!!!!!!!!!!).

Sim, estou muito feliz.


MUITO!


Enfim, sobre os mangás...

A descrição para Fisherman's Lodge no checklist da Bruno Gmünder não diz muita coisa sobre a história. Só fala que esse é o terceiro título do Tagame pela série Gay Manga, e que além da história-título, o livro trará as histórias Confession e End Line.

Como disse no post anterior, o fato do protagonista ser um homem mais velho - com um corpo digno de gay mangá, pra completar o pacote - e dele se relacionar com alguém aparentemente mais novo me interessou muito. Parece ser uma boa história.

O lançamento de Mentaiko será Priapus, uma HQ muito boa, engraçada e com um traço maravilhoso e bem detalhado - se é que me entendem, huhuhu *risada perva* - que creio que ficará lindo no papel. Segundo a descrição na checklist, a história tem três capítulos, eu só li dois até hoje, então estou ansioso por ler o desfecho finalmente sem precisar caçar em fóruns e scanlations da vida! Além dos três capítulos de Priapus, o livro trará outras histórias de Mentaiko, incluindo a famosa 1/4! Me pergunto se em breve lançariam Itai Itai Itai também... Mas um sonho por vez!

Você pode ler uma sinopse de Priapus no meu antigo blog.

O livro de Takeshi Matsu se chama More and More of You and Other Stories... SIM! Um dos meus títulos favoritos do Matsu será finalmente lançado em inglês. Eu amo a história complicada entre o professor Shoo-chan e seu aluno e vizinho Kousuke, tanto que uma das imagens no template do blog é do Shoo-chan. ヾ(´▽`;)ゝ Enfim, a história consta de cinco capítulos - até um tempo atrás, eu não vi tradução do último capítulo, não sei se saiu enquanto estava ausente do Bara Forums - e, como o título fala, constará de outras histórias do Matsu, mas na checklist da editora não havia descrição de quais histórias seriam. Você pode ver nesse post do meu antigo blog uma sinopse do primeiro capítulo do mangá.

Todos os lançamentos estão previstos para novembro de 2014. Considerando que, mesmo saindo em outubro deste ano, Massive será uma antologia de vários mangakás de gay mangá, More and More of You and Other Stories será a primeira publicação oficial do Takeshi Matsu em inglês. O mesmo vale para Mentaiko e Priapus. Esperar por novembro vai ser duro...

Enfim, deixem um espaçozinho no cartão de crédito de vocês, ou peçam pro amigo que tem PayPal comprar pra você, porque esses serão lançamentos imperdíveis pros fãs. Vou já ver se tem algum site fazendo a pré-venda... Fui!

domingo, 22 de junho de 2014

Gay mangá: goodies interessantes

Olá pessoas. Vamo falar de coisa boa? XD Tenho algumas novidades que possam interessar quem gosta de gay mangá e seus artistas e que possuem cartão internacional pronto para comprar coisas pra sua coleção. Então, prestem atenção nas goodies que vou lhes mostrar a seguir...


Primeiro, Gengoroh Tagame publicou no meio de junho imagens de um mangá seu traduzido para o italiano: L'Inverno del Pescatore é, se não me engano, a terceira publicação dele na Itália. Estou divulgando aqui porque, além da história parecer muito boa - contando com um baita ursão de idade mais avançada como um dos protagonistas -, também quero dar a novidade para quem talvez tenha interesse em colecionar gay mangá traduzido para outras línguas além do japonês. No caso, não é pro inglês, mas nunca se sabe se algum de vocês possam ter mais facilidade com o italiano. Enfim, você pode comprá-lo direto na editora do mangá, Ren Books (não usei esse link, somente o achei aqui, então não posso dar informações de como comprar no site, usá-lo fica a seu critério).



Já esta próxima novidade vale mais pela novidade em si do que pela compra... Vocês vão saber o porquê.

A loja online Opening Ceremony fez um acordo com a loja MASSIVE, dos mesmos responsáveis que publicaram o primeiro gay mangá dos EUA, e com o Jiraiya para vender roupas com estampas "bara", criadas pelo mangaká.

Sim, agora dá pra andar com uma camisa estampada com um urso japonês desenhado pelo Jiraiya! quem já viu as artes dele sabe como ele manda bem nisso. Você já podia ver um modelo à venda no próprio site da MASSIVE, mas agora os modelos são outros, como podem ver nas imagens abaixo, tiradas do site da revista OUT:



As camisas são realmente muito bonitas, não? Eu achei... Agora, a parte chata da novidade. Bem, são basicamente três chatices...

1. A primeira é que eu fui procurar se o site vende para todos os países do mundo. Bem, a lista de países pra onde eles entregam as mercadorias são poucos, e infelizmente o Brasil não é um deles. MAS parece que eles estão dispostos a negociar, já que o site pede que os consumidores de outros países que estejam interessados os contatem por e-mail ou telefone. Mas caso você tenha parentes nos EUA ou num dos países pra quem eles entregam, isso já ajudaria, talvez.

2. Dê uma olhadinha pelo site e perceba que os produtos são caros. E muito caros! Se estiver disposto a comprar, prepare o bolso. E, caso você consiga contornar o problema acima e consiga que a loja envie pra sua casa, se prepare pro produto ser taxado.

3. O site Opening Ceremony dá um link para o que seria a página de produtos da MASSIVE, mas... o link não funciona. Ainda que dê pra ver uns produtos lá, não dá pra ver a lista de todos eles. Bizarro. A razão de não achar o link é porque a "loja" para os produtos não havia estreado! XD A página de produtos da MASSIVE foi lançada hoje, dia 26, para ver as goodies é só clicar aqui.

Enfim, não tentei comprar pelo site e nem vou. Se tentar comprar pelo site, você estará fazendo por conta própria. Estou repassando a notícia mais pela curiosa questão de que a arte do gay mangá parece estar se popularizando nos EUA, já que está estampando até roupas agora. Será que isso ainda chega aqui?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cinema: comentando Malévola

Angelina Jolie as Maleficent
"Sou uma diva!"

Malévola era um filme do qual eu não esperava muita coisa. Eu sempre fico com os dois pés atrás, se possível, quando uma "prequel" é anunciada, e assim foi no começo quando anunciaram Malévola anos atrás, já que contaria a história por trás da vilã de A Bela Adormecida. Eu só tinha interesse de ver por conta da Angelina Jolie, já que sou fã, além dela parecer mais e mais linda - ou diva, como um certo espectador nada discreto, e NADA educado, gritava do meu lado na sala de cinema - a cada imagem do filme que era divulgada. Porém, apesar de certas falhas, o filme acaba sendo uma ótima surpresa, seja pelo desempenho de Jolie, que parecia estar se divertindo mais do que qualquer um no papel, seja pela desconstrução dos papéis femininos em contos de fada.

Era uma vez...
O filme Malévola conta a história de dois reinos. Um, de humanos e outro, de seres mágicos chamado Moors, onde vive a personagem-título. Ocasionalmente, os seres humanos desse reino tentam invadir e destruir tais seres. Por quê? Porque sabemos bem como humanos lidam com coisas diferentes deles próprios... Enfim, os seres mágicos não confiam muito nos humanos, e os relacionamentos entre os seres não são bons, apesar de viverem em relativa paz. Em um momento, descobre-se que um garoto pobre chamado Stefan esconde-se na floresta de Moors após "roubar" certo elemento do lugar, e uma jovem fada chamada Malévola, que vive cuidando de Moors - sem necessariamente "reinar" no lugar - intercede para que ele devolva o tal objeto e volte para onde veio. Por conta disso, acabam criando uma amizade e, posteriormente acabam se apaixonando. Mas Stefan quer tanto deixar a pobreza que na primeira oportunidade de se tornar rico, ele estaria disposto a abdicar de tal sentimento.

Ao saber que o rei do reino de humanos fará seu sucessor quem matar Malévola, que o derrotou vergonhosamente após uma batalha para tentar conquistar a si o reino de Moors, Stefan decide drogá-la para poder matá-la, mas ele não consegue. Em vez disso, retira as asas da fada com ferro, elemento que queima e fere as fadas. Ao acordar sem asas, Malévola descobre a traição e cheia de raiva, isola ainda mais o mundo de Moors, tornando Moors um ambiente sombrio. É nesse momento que ela também salva um corvo, Diaval, que acaba se tornando um aliado e seu único confidente, que ocasionalmente transforma-se em humano na forma de outros animais com a magia de Malévola.

Anos depois, ao descobrir que Stefan, agora rei, teve uma filha, Malévola decide se vingar de Stefan invadindo a festa de batismo de Aurora lançando-lhe uma maldição: no dia em que completar 16 anos, ela espetaria o dedo numa roca de fiar e dormiria eternamente, e só um beijo de amor verdadeiro - coisa que Malévola julgava não existir por conta do que Stefan lhe fez - poderia acordá-la. O rei manda destruir todas as rocas de fiar e faz com que três pequenas fadas, que haviam ido à festa para desejar coisas boas para a princesa e demonstrar que o reino de Moors desejava paz entre os reinos, cuidem de Aurora até que o seu aniversário de 16 anos passe.

Malévola observa as fadas e Aurora de longe, e ao ver que as fadas não possuíam qualquer habilidade para criar a menina, ela acaba cuidando de Aurora, ainda mantendo distância. Ao completar 15 anos, Malévola deixa que Aurora entre em Moors, onde a princesa acaba a encontrando pela primeira vez. Aurora a identifica como uma fada-madrinha, já que julga ter sempre sentido a presença dela enquanto crescia. Com isso, Malévola deixa Aurora passar mais tempo com as criaturas mágicas de Moors e ela acaba criando carinho pela jovem. Enquanto isso, o rei Stefan se torna cada vez mais paranoico, sentindo-se culpado pelo que fez à Malévola, e também com ódio por ela a ter lhe separado da filha. Com o aniversário de 16 anos chegando perto, ele decide começar um plano para se vingar da fada. Como Aurora poderia lidar ao saber do que seu pai fez com sua fada-madrinha? E como lidar com o fato de que Malévola foi quem lhe amaldiçoou? E como Malévola poderia salvar Aurora da maldição que ela colocou, que segundo suas próprias palavras, nenhuma mágica ano mundo poderia reverter?

Imelda Staunton, Lesley Manville and Juno Temple as pixies
"Bibidi, bobidi, b...". Opa, filme errado!

Não é mais um filme da Bela Adormecida
Desde que foi anunciado que Angelina Jolie faria o papel-título, era de se imaginar que o filme capitalizaria somente por sua presença. De fato, Malévola não teria tanto impacto sem a presença de Jolie -  na verdade, segundo seus realizadores, o filme nem seria feito -, mas creio que Angelina nem continuaria se o projeto não fosse desenvolvido de maneira só para alienar o público. Felizmente isso não acontece. O filme acaba sendo bem sucedido por não só dar novos ares à história clássica, mas também serve como homenagem ao desenho da Disney. Creio que muito fã do longa de animação de 1959 regozijou ver a cena de Malévola respondendo com desdém o anúncio de que não era bem-vinda na festa do nascimento de Aurora.

Ao assistir Malévola não tem como não relembrar Frozen. As duas histórias possuem princesas e príncipes, mas o papel destes não é como vemos ou ouvimos nos contos de fadas. O grande trunfo de ambos os filmes ao tentar dar um novo ar a esse estilo de história é de explorar o amor de outra forma, mostrar que não é só o amor romântico que salva, ou o que deveria ser o mais importante na vida de uma garota. E claro, mostram que duas mulheres podem ser amigas e ajudar umas às outras, ao contrário de... bem, da maioria maciça dos filmes hollywoodianos. Dizer mais que isso seria um spoiler.

Infelizmente o que há de melhor em Malévola é também parte do problema: a personagem rouba o filme sem pudor algum. E ser interpretada pela Angelina Jolie ajuda ainda menos. Tudo bem que, pelo título do filme, se nota que a Aurora não teria tanto foco na história, o problema é que enquanto Malévola ganha personalidade e motivação para o que faz, Aurora não é nada mais do que uma boa garota, nada além de uma... princesa de contos de fada. Não que Elle Fanning seja uma atriz ruim, ela segura bem o papel mesmo ao lado da Jolie, com cenas em que as duas conseguem se manter em igual, mas o roteiro poderia dar-lhe um pouco mais de personalidade. Eram tantas cenas de riso solto que, em vez de deixar Aurora graciosa, acabaram deixando ela meio "idiota". O roteiro falhou em deixá-la mais espontânea, como aconteceu com as personalidades de Rapunzel (Enrolados) e de Anna (Frozen). Não que Aurora necessitasse ser mais "engraçada", mas sim que seu "jeito feliz" fosse mais natural. O príncipe então, acho menos desenvolvido ainda, não diferenciando muito dos príncipes das primeiras animações da Disney. Desafio alguém a lembrar o nome do príncipe ao final do filme.

Sharlto Copley tem um bom desempenho como rei Stefan, por mais que seu papel não exigisse muito como vilão. Aliás, suspeito que o ator seja bom de "segurar as pontas" por mais que não esteja em um papel de destaque, já que ele também teve ótimo desempenho como Murdock numa produção como Esquadrão Classe A. Sam Riley também conseguiu ter seus momentos de destaque ao lado de Jolie como a versão humana do corvo Diaval, em que muitas vezes o personagem servia não como um mero serviçal, mas como a voz da razão para Malévola. Não é por menos que existem fanarts shippando Malévola e Diaval (sério, joguem no Google agora!), a interação dos dois é muito interessante. A excelente Imelda Staunton, Lesley Manville e Juno Temple também tiram leite de pedra como as fadinhas que, apesar de terem momentos extremamente engraçados, suas inabilidades de serem eficientes para alívio cômico em determinado momento do filme chega a irritar.

A comparação que faço agora parece esdrúxula, mas penso assim: se a Marvel praticamente jogou fora a possibilidade de fazer do Loki um vilão de maior complexidade em Thor: O Mundo Sombrio - o que poderia levar a um filme solo dele, explorando as minisséries dele como base que justamente trabalham essa dualidade bem/mal do ser humano -, Malévola consegue construir o que muitos desses filmes e séries de contos de fada modinha não conseguiram, ou fizeram de forma capenga: uma "bruxa malvada" que não é simplesmente "malvada", mas um ser humano - ou fada - que possui uma vastidão de sentimentos dentro de si, e como tal, necessita lidar com eles... como qualquer um de nós.

Pôster de Malévola

PS: O que foi aquela versão MEDONHA de "Once Upon A Dream" da Lana Del Rey? O filme acabou de um jeito tão lindo, mas aquela voz soturna quase acabou com o clima. Eu hein... #partiuvelório

PPS: Eu ainda vou fazer um post sobre como certos espectadores homossexuais, que ao mesmo tempo que reclamam sobre os estereótipos gays que mostram em programas tipo Zorra Total, acabam agindo EXATAMENTE com a mesma "irreverência" no cinema. Tive de encarar altas doses de escândalos ao assistir Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, e ao assistir Malévola tive de aguentar um "fã" - sentado exatamente do meu lado, comprovando minha "sorte" ao escolher assentos no cinema - que literalmente declamava todas as falas da Angelina Jolie, sem falar de ficar comentando "diva", "linda", "maravilhosa" e "poderosa" em todo momento que ela aparecia na telona. Tudo bem ser fã, mas isso não justifica atrapalhar a experiência dos outros de verem filmes, está bem?

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