quarta-feira, 16 de julho de 2014

Projeto "Canções": colabore comigo!


Este post marca o início de um projeto literário meu. A ideia é que, com a internet e as mídias sociais, muitas produções artísticas são produzidas em conjunto. Por exemplo, algo que me veio na cabeça agora é O Teatro Mágico e as colaborações que eles pedem dos fãs. Longe de mim dizer que tenho fãs, a questão é fazer algo com a colaboração de pessoas através da rede. Uma colaboração entre amigos virtuais, leitores, conhecidos...

Confesso que estou lançando isso meio que sem um planejamento, sem rigorosidade - ariano, hehehe! -, mas a intenção é mesmo ser um pouco espontâneo. Tão espontâneo que o projeto vai precisar da opinião de vocês pra andar. Mas comecemos do começo:

Projeto Canções - O que é?
Canções será um livro de contos que serão inspirados em músicas. Ao todo serão oito contos, e para cada um, oito músicas. Fácil, não? XD A ideia seria escrever contos que estivessem relacionados às músicas de alguma forma, podendo ser de uma maneira mais simples, como um evento que esteja relacionado a ela ou uma história que tivesse uma inspiração mais direta, como uma reinterpretação da música como conto, por exemplo. Enfim, são muitas as possibilidades.

Por que se inspirar em canções?
Porque eu AMO música. Demais. E acredito que muitas pessoas amam assim como eu. Que guardam cada momento com uma música específica, que vivem cantarolando algo, que possuem praticamente uma trilha sonora para o seu cotidiano guardada em seu mp3, iPod, smartphone, tanto faz... E sei de muita gente que escreve ou faz outras atividades criativas ouvindo música e as usando como inspiração.

E acho que o projeto seria interessante também para quem gosta de ler ouvindo música, como eu. Daí imagino como seria legal ter meio que uma "trilha sonora" pra acompanhar enquanto se lê a história inspirada por essas canções.


Como colaborar?
Das oito canções, eu decidi escolher quatro. As outras quatro eu quero deixar em aberto para sugestões do público.

Inicialmente, eu irei coletar várias sugestões através de um formulário. De 16 de julho de 2014 até 31 de agosto (data prorrogada!) vocês podem clicar aqui para preencher o formulário com uma sugestão de música (você pode preencher o questionário aqui, no fim deste post). Vocês podem preencher o formulário quantas vezes quiser, sugerir quantas músicas quiser, mas só preencham com UMA MÚSICA cada formulário. Isso facilitará pra mim para coletar os dados depois.

Após o período de sugestões, vou pegar todos os nomes de músicas sugeridos e vou abrir uma enquete aqui no blog em setembro, onde as quatro mais votadas serão as escolhidas para basear os contos.

Caso as músicas escolhidas coincidam com as que eu escolhi... eu vou escolher outras. Simples, não? XD

Posso sugerir qualquer música? QUALQUER música?
Sim, pode. A proposta é a de tentar ser o mais criativo possível. Sei que isso pode dar margem pra trollagem, mas quero deixar as possibilidades bem amplas...

Como será o livro? Quando será lançado? Eu poderei ter um depois?
Eu espero estar finalizando e lançando o livro no final de 2015, que será disponibilizado como livro digital. Vou orçamentar quanto seria lançá-lo como livro físico, mas acho que isso levaria mais tempo já que é um projeto independente. Por isso, é certo que ele será lançado como livro digital, pois além de ser uma ferramenta mais em conta para ser lançado por um autor independente, ele custaria mais barato para quem quiser adquiri-lo.

Como degustação, eu estarei disponibilizando dois contos do livro para download antes do lançamento oficial do livro. Um de sugestão minha, outro de sugestão do público.

É possível que eu disponibilize um livro de graça para quem sugerir um dos quatro contos selecionados, além de participar da página de agradecimentos. E só digo "possível" porque ainda terei de descobrir como disponibilizar um download de livro digital de graça LOL mas é certo que quem colaborou terá o seu como agradecimento.

Qualquer dúvida, é só me dar um toque no Twitter: @diegohatake. Através dele, além do blog, é que eu vou dar notícias sobre à quantas anda o projeto.

Então... Que tal dar logo sua sugestão aí embaixo? Desde já agradeço. "E vamos à luta!...".

domingo, 13 de julho de 2014

Aquele falando um pouco de cosplay (ou "Como não esquecer do essencial")


Como deixei claro antes, este é um blog pessoal, por mais que não pareça. Então, me reservo o direito de não só ficar dando notícias de gay mangá, mas também de falar um pouco do que martela esta linda cabecinha...

Ultimamente eu me peguei me divertindo horrores com o último vídeo do D-Piddy, em que ele faz cosplay do Luigi e sua "cara de mau" do jogo Mario Kart 8. Primeiro, porque o vídeo é engraçado pra caramba - antes que algum imbecil alguém fale: primeiro, ele pediu permissão dos cosplayers antes de jogar o casco; segundo, o casco é um plushie, garanto que ninguém ia morrer com uma pancada de um casco de pelúcia e nenhum cosplay ia se desmanchar, só se fosse feito de papel de seda ou algo do tipo - e depois porque ele me lembra o que me levou a fazer cosplay, que é essencial pra essa coisa toda: a diversão.

O D-Piddy parece se divertir como nunca, e todo mundo que participa do vídeo também. Eu imediatamente comecei a pensar em como eu me divertia quando vestia as roupas das minhas personagens favoritas. E como ir a eventos era divertido, lá conheci pessoas, fiz amizades que duram até hoje. Enfim, saudosismo bateu forte.

Eu sempre digo que fui "arrancado" do cosplay quando eu ainda estava "engatinhando" no hobby. Engatinhando porque só tive três anos de cosplay. Meu primeiro cosplay foi em 2007, e em 2009 fiz meus dois últimos cosplays. Logo depois eu decidi fazer a faculdade de jornalismo pra, bem, ter algum futuro. Daí, decidi deixar de gastar com coisas como cosplay pra poder pagar a faculdade. Ao final dela, eu esperava que ela me daria oportunidades pra depois fazer mais cosplays... O resultado é que, desempregado, estou sem cosplay e sem oportunidades. LOL Mas esse não é meu ponto. A questão é que as coisas mudaram, ao menos na minha visão.

Os eventos de anime e cultura japonesa em Manaus não se desenvolveram. Fora os pequenos eventos da Nippaku, dois eventos praticamente morreram e só sobrou um... Um evento de anime que tem muitas, muitas coisas mesmo. Menos anime. Os frequentadores também mudaram. Em vez de fãs, muitos são apenas curiosos ou as famílias desses curiosos. Alguns vão pra ver um show de rock, ou algum ator que foi um Power Ranger que quase ninguém lembra. Os que eram fãs que frequentavam eventos na minha época simplesmente desistiram dos eventos, seja por não gostarem de como eles ficaram, seja por "compromissos de uma vida adulta". Quando fui em um AJP uma vez para fazer uma matéria para um trabalho de faculdade, me senti um peixe super fora d'água, como há tempos não me sentia.

E, bem, não posso falar muito do cenário cosplay daqui porque estaria beirando ao sensacionalismo, ou poderiam achar que se trata de alguma vendetta. A questão é que amizades de anos se acabaram, outras amizades impensáveis se formaram... mas a briga de egos continua. Aliás, sempre teve e acho que sempre terá, pessoas são assim. Talvez isso seja o que me dói mais: quero voltar a fazer cosplays, mas não tenho amigos com quem fazer junto - a maioria dos que conhecia que faziam pela diversão desistiram pela opressão dos que fazem para ganhar competições/dinheiro/fama (?) - , e nem onde fazer. Tem os que fazem cosplay apenas para fazer ensaios, tirar fotos... mas confesso que gostava era de apresentar em eventos o meu cosplay, sabe? Tirar fotos, me comunicar com outros cosplayers ou fãs do personagem que estou vestindo. Eu fiquei pasmo quando encontrei pessoas (duas só) que sabiam que eu estava fazendo cosplay do Turbo, de Dragon Tiger Gate.

De fato, os cosplayers de Manaus evoluíram muito. Na minha época, sete anos atrás, ainda se via muito improviso, o que era legal. Nada contra o povo agora que clama pela perfeição, é a escolha de quem quiser, mas isso parece que tira o espaço de quem quer cosplayar apenas pra se divertir. Hoje eu vejo muitos cosplayers ditos profissionais que abrem página no YouTube ou fazem vlogs pra ensinar como se deve fazer um cosplay e acho isso um saco. Não são todos, existem uns que realmente querem ajudar, com tutorial de maquiagem, costura etc., porém uns são feitos apenas por gente pretensiosa, que assim como um Felipe Neto da vida - que odeio -, querem ensinar a você não só a como cosplayar, mas a como se portar pra ser "considerado" um cosplayer, sabe? Muito cheios de "pode", "não pode", assim como aqueles moleques que se podia encontrar em eventos que julgava quem podia fazer cosplay ou não. Tem um desses vlogueiros, aliás, que não vou citar nome, mas a pessoa fez um vídeo em que afirmava que cospobres ou "cosplays inacabados" não eram cosplays, e que a pessoa nem deveria se dar ao trabalho de sair na rua com algo assim, tá boa? XD Digo, no "play" da coisa quase ninguém pensa. Agora não querem ensinar somente, querem mesmo é obrigar a alcançarem um padrão que, necessariamente, nem todo mundo está interessado. Pra quem quer competir num WCS talvez tal padrão seja necessário, mas e quem só quer... brincar? E sim, este discurso de "pode/não pode", ou "cosplay bom é x, ruim é y" existe desde muito tempo, mas ao menos em certas situações que observo entre cosplayers que conheço, esse tipo de comportamento está bem popular. As prioridades mudaram pra alguns, por mais que digam que não. E os que gostavam apenas de brincar, bem, arrumaram outra diversão que não estressasse tanto...

É estranho escrever tudo isso só pra dizer que estou com saudades de fazer cosplays, mas a questão é que estava chateado. Sem rumo, sem ideia de como ou por que continuar com cosplays em um contexto que, em sete anos, mudou muito e que nada me agrada. Mas aí lembro que, apesar de umas frutas podres no meio, ainda há pessoas como o D-Piddy ou um Ryan Frye que me fazem lembrar do que mais gosto nisso e porque ainda devo persistir. Desde 2007 eu meio que vou contra a corrente desse povo do "cosplay perfeito", acho justo não parar agora, certo? Afinal, como dizem, "tô pagando", então... Não sei se rola esse ano - estou caçando uma costureira desde o ano passado! - mas é certo que voltarei a pavonear por aí, e em algum evento! Mesmo disputando lugar com gente que foi assistir show do ForFun, Luan Santana... Só tenho de lembrar do que é essencial pra mim.

É, acho que algumas coisas nunca mudam... Então, que a brincadeira continue!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gay mangá: Takeshi Matsu e Mentaiko publicados pela Bruno Gmünder!


Sabe quando uma notícia lhe leva a derramar lágrimas de felicidade? Sei, parece exagero, mas pra quem me conhece sabe como eu adoraria, AMARIA, ter mangás do Takeshi Matsu na minha coleçãozinha de mangás... Bem, a editora Bruno Gmünder divulgou ontem - e eu perdi essa no dia, mesmo seguindo o Tumblr Gay Manga, nunca vou me perdoar - sua lista de lançamentos para o resto de 2014 e, claro, nela estão vários títulos de quadrinhos. Mas o que quase me matou de felicidade foi ver que, além de Fisherman's Lodge de Gengoroh Tagame - mangá que recentemente foi lançado na Itália, como descrito aqui -, serão lançados nos EUA mangás do Mentaiko (!!!) e do Takeshi Matsu (!!!!!!!!!!!).

Sim, estou muito feliz.


MUITO!


Enfim, sobre os mangás...

A descrição para Fisherman's Lodge no checklist da Bruno Gmünder não diz muita coisa sobre a história. Só fala que esse é o terceiro título do Tagame pela série Gay Manga, e que além da história-título, o livro trará as histórias Confession e End Line.

Como disse no post anterior, o fato do protagonista ser um homem mais velho - com um corpo digno de gay mangá, pra completar o pacote - e dele se relacionar com alguém aparentemente mais novo me interessou muito. Parece ser uma boa história.

O lançamento de Mentaiko será Priapus, uma HQ muito boa, engraçada e com um traço maravilhoso e bem detalhado - se é que me entendem, huhuhu *risada perva* - que creio que ficará lindo no papel. Segundo a descrição na checklist, a história tem três capítulos, eu só li dois até hoje, então estou ansioso por ler o desfecho finalmente sem precisar caçar em fóruns e scanlations da vida! Além dos três capítulos de Priapus, o livro trará outras histórias de Mentaiko, incluindo a famosa 1/4! Me pergunto se em breve lançariam Itai Itai Itai também... Mas um sonho por vez!

Você pode ler uma sinopse de Priapus no meu antigo blog.

O livro de Takeshi Matsu se chama More and More of You and Other Stories... SIM! Um dos meus títulos favoritos do Matsu será finalmente lançado em inglês. Eu amo a história complicada entre o professor Shoo-chan e seu aluno e vizinho Kousuke, tanto que uma das imagens no template do blog é do Shoo-chan. ヾ(´▽`;)ゝ Enfim, a história consta de cinco capítulos - até um tempo atrás, eu não vi tradução do último capítulo, não sei se saiu enquanto estava ausente do Bara Forums - e, como o título fala, constará de outras histórias do Matsu, mas na checklist da editora não havia descrição de quais histórias seriam. Você pode ver nesse post do meu antigo blog uma sinopse do primeiro capítulo do mangá.

Todos os lançamentos estão previstos para novembro de 2014. Considerando que, mesmo saindo em outubro deste ano, Massive será uma antologia de vários mangakás de gay mangá, More and More of You and Other Stories será a primeira publicação oficial do Takeshi Matsu em inglês. O mesmo vale para Mentaiko e Priapus. Esperar por novembro vai ser duro...

Enfim, deixem um espaçozinho no cartão de crédito de vocês, ou peçam pro amigo que tem PayPal comprar pra você, porque esses serão lançamentos imperdíveis pros fãs. Vou já ver se tem algum site fazendo a pré-venda... Fui!

domingo, 22 de junho de 2014

Gay mangá: goodies interessantes

Olá pessoas. Vamo falar de coisa boa? XD Tenho algumas novidades que possam interessar quem gosta de gay mangá e seus artistas e que possuem cartão internacional pronto para comprar coisas pra sua coleção. Então, prestem atenção nas goodies que vou lhes mostrar a seguir...


Primeiro, Gengoroh Tagame publicou no meio de junho imagens de um mangá seu traduzido para o italiano: L'Inverno del Pescatore é, se não me engano, a terceira publicação dele na Itália. Estou divulgando aqui porque, além da história parecer muito boa - contando com um baita ursão de idade mais avançada como um dos protagonistas -, também quero dar a novidade para quem talvez tenha interesse em colecionar gay mangá traduzido para outras línguas além do japonês. No caso, não é pro inglês, mas nunca se sabe se algum de vocês possam ter mais facilidade com o italiano. Enfim, você pode comprá-lo direto na editora do mangá, Ren Books (não usei esse link, somente o achei aqui, então não posso dar informações de como comprar no site, usá-lo fica a seu critério).



Já esta próxima novidade vale mais pela novidade em si do que pela compra... Vocês vão saber o porquê.

A loja online Opening Ceremony fez um acordo com a loja MASSIVE, dos mesmos responsáveis que publicaram o primeiro gay mangá dos EUA, e com o Jiraiya para vender roupas com estampas "bara", criadas pelo mangaká.

Sim, agora dá pra andar com uma camisa estampada com um urso japonês desenhado pelo Jiraiya! quem já viu as artes dele sabe como ele manda bem nisso. Você já podia ver um modelo à venda no próprio site da MASSIVE, mas agora os modelos são outros, como podem ver nas imagens abaixo, tiradas do site da revista OUT:



As camisas são realmente muito bonitas, não? Eu achei... Agora, a parte chata da novidade. Bem, são basicamente três chatices...

1. A primeira é que eu fui procurar se o site vende para todos os países do mundo. Bem, a lista de países pra onde eles entregam as mercadorias são poucos, e infelizmente o Brasil não é um deles. MAS parece que eles estão dispostos a negociar, já que o site pede que os consumidores de outros países que estejam interessados os contatem por e-mail ou telefone. Mas caso você tenha parentes nos EUA ou num dos países pra quem eles entregam, isso já ajudaria, talvez.

2. Dê uma olhadinha pelo site e perceba que os produtos são caros. E muito caros! Se estiver disposto a comprar, prepare o bolso. E, caso você consiga contornar o problema acima e consiga que a loja envie pra sua casa, se prepare pro produto ser taxado.

3. O site Opening Ceremony dá um link para o que seria a página de produtos da MASSIVE, mas... o link não funciona. Ainda que dê pra ver uns produtos lá, não dá pra ver a lista de todos eles. Bizarro. A razão de não achar o link é porque a "loja" para os produtos não havia estreado! XD A página de produtos da MASSIVE foi lançada hoje, dia 26, para ver as goodies é só clicar aqui.

Enfim, não tentei comprar pelo site e nem vou. Se tentar comprar pelo site, você estará fazendo por conta própria. Estou repassando a notícia mais pela curiosa questão de que a arte do gay mangá parece estar se popularizando nos EUA, já que está estampando até roupas agora. Será que isso ainda chega aqui?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cinema: comentando Malévola

Angelina Jolie as Maleficent
"Sou uma diva!"

Malévola era um filme do qual eu não esperava muita coisa. Eu sempre fico com os dois pés atrás, se possível, quando uma "prequel" é anunciada, e assim foi no começo quando anunciaram Malévola anos atrás, já que contaria a história por trás da vilã de A Bela Adormecida. Eu só tinha interesse de ver por conta da Angelina Jolie, já que sou fã, além dela parecer mais e mais linda - ou diva, como um certo espectador nada discreto, e NADA educado, gritava do meu lado na sala de cinema - a cada imagem do filme que era divulgada. Porém, apesar de certas falhas, o filme acaba sendo uma ótima surpresa, seja pelo desempenho de Jolie, que parecia estar se divertindo mais do que qualquer um no papel, seja pela desconstrução dos papéis femininos em contos de fada.

Era uma vez...
O filme Malévola conta a história de dois reinos. Um, de humanos e outro, de seres mágicos chamado Moors, onde vive a personagem-título. Ocasionalmente, os seres humanos desse reino tentam invadir e destruir tais seres. Por quê? Porque sabemos bem como humanos lidam com coisas diferentes deles próprios... Enfim, os seres mágicos não confiam muito nos humanos, e os relacionamentos entre os seres não são bons, apesar de viverem em relativa paz. Em um momento, descobre-se que um garoto pobre chamado Stefan esconde-se na floresta de Moors após "roubar" certo elemento do lugar, e uma jovem fada chamada Malévola, que vive cuidando de Moors - sem necessariamente "reinar" no lugar - intercede para que ele devolva o tal objeto e volte para onde veio. Por conta disso, acabam criando uma amizade e, posteriormente acabam se apaixonando. Mas Stefan quer tanto deixar a pobreza que na primeira oportunidade de se tornar rico, ele estaria disposto a abdicar de tal sentimento.

Ao saber que o rei do reino de humanos fará seu sucessor quem matar Malévola, que o derrotou vergonhosamente após uma batalha para tentar conquistar a si o reino de Moors, Stefan decide drogá-la para poder matá-la, mas ele não consegue. Em vez disso, retira as asas da fada com ferro, elemento que queima e fere as fadas. Ao acordar sem asas, Malévola descobre a traição e cheia de raiva, isola ainda mais o mundo de Moors, tornando Moors um ambiente sombrio. É nesse momento que ela também salva um corvo, Diaval, que acaba se tornando um aliado e seu único confidente, que ocasionalmente transforma-se em humano na forma de outros animais com a magia de Malévola.

Anos depois, ao descobrir que Stefan, agora rei, teve uma filha, Malévola decide se vingar de Stefan invadindo a festa de batismo de Aurora lançando-lhe uma maldição: no dia em que completar 16 anos, ela espetaria o dedo numa roca de fiar e dormiria eternamente, e só um beijo de amor verdadeiro - coisa que Malévola julgava não existir por conta do que Stefan lhe fez - poderia acordá-la. O rei manda destruir todas as rocas de fiar e faz com que três pequenas fadas, que haviam ido à festa para desejar coisas boas para a princesa e demonstrar que o reino de Moors desejava paz entre os reinos, cuidem de Aurora até que o seu aniversário de 16 anos passe.

Malévola observa as fadas e Aurora de longe, e ao ver que as fadas não possuíam qualquer habilidade para criar a menina, ela acaba cuidando de Aurora, ainda mantendo distância. Ao completar 15 anos, Malévola deixa que Aurora entre em Moors, onde a princesa acaba a encontrando pela primeira vez. Aurora a identifica como uma fada-madrinha, já que julga ter sempre sentido a presença dela enquanto crescia. Com isso, Malévola deixa Aurora passar mais tempo com as criaturas mágicas de Moors e ela acaba criando carinho pela jovem. Enquanto isso, o rei Stefan se torna cada vez mais paranoico, sentindo-se culpado pelo que fez à Malévola, e também com ódio por ela a ter lhe separado da filha. Com o aniversário de 16 anos chegando perto, ele decide começar um plano para se vingar da fada. Como Aurora poderia lidar ao saber do que seu pai fez com sua fada-madrinha? E como lidar com o fato de que Malévola foi quem lhe amaldiçoou? E como Malévola poderia salvar Aurora da maldição que ela colocou, que segundo suas próprias palavras, nenhuma mágica ano mundo poderia reverter?

Imelda Staunton, Lesley Manville and Juno Temple as pixies
"Bibidi, bobidi, b...". Opa, filme errado!

Não é mais um filme da Bela Adormecida
Desde que foi anunciado que Angelina Jolie faria o papel-título, era de se imaginar que o filme capitalizaria somente por sua presença. De fato, Malévola não teria tanto impacto sem a presença de Jolie -  na verdade, segundo seus realizadores, o filme nem seria feito -, mas creio que Angelina nem continuaria se o projeto não fosse desenvolvido de maneira só para alienar o público. Felizmente isso não acontece. O filme acaba sendo bem sucedido por não só dar novos ares à história clássica, mas também serve como homenagem ao desenho da Disney. Creio que muito fã do longa de animação de 1959 regozijou ver a cena de Malévola respondendo com desdém o anúncio de que não era bem-vinda na festa do nascimento de Aurora.

Ao assistir Malévola não tem como não relembrar Frozen. As duas histórias possuem princesas e príncipes, mas o papel destes não é como vemos ou ouvimos nos contos de fadas. O grande trunfo de ambos os filmes ao tentar dar um novo ar a esse estilo de história é de explorar o amor de outra forma, mostrar que não é só o amor romântico que salva, ou o que deveria ser o mais importante na vida de uma garota. E claro, mostram que duas mulheres podem ser amigas e ajudar umas às outras, ao contrário de... bem, da maioria maciça dos filmes hollywoodianos. Dizer mais que isso seria um spoiler.

Infelizmente o que há de melhor em Malévola é também parte do problema: a personagem rouba o filme sem pudor algum. E ser interpretada pela Angelina Jolie ajuda ainda menos. Tudo bem que, pelo título do filme, se nota que a Aurora não teria tanto foco na história, o problema é que enquanto Malévola ganha personalidade e motivação para o que faz, Aurora não é nada mais do que uma boa garota, nada além de uma... princesa de contos de fada. Não que Elle Fanning seja uma atriz ruim, ela segura bem o papel mesmo ao lado da Jolie, com cenas em que as duas conseguem se manter em igual, mas o roteiro poderia dar-lhe um pouco mais de personalidade. Eram tantas cenas de riso solto que, em vez de deixar Aurora graciosa, acabaram deixando ela meio "idiota". O roteiro falhou em deixá-la mais espontânea, como aconteceu com as personalidades de Rapunzel (Enrolados) e de Anna (Frozen). Não que Aurora necessitasse ser mais "engraçada", mas sim que seu "jeito feliz" fosse mais natural. O príncipe então, acho menos desenvolvido ainda, não diferenciando muito dos príncipes das primeiras animações da Disney. Desafio alguém a lembrar o nome do príncipe ao final do filme.

Sharlto Copley tem um bom desempenho como rei Stefan, por mais que seu papel não exigisse muito como vilão. Aliás, suspeito que o ator seja bom de "segurar as pontas" por mais que não esteja em um papel de destaque, já que ele também teve ótimo desempenho como Murdock numa produção como Esquadrão Classe A. Sam Riley também conseguiu ter seus momentos de destaque ao lado de Jolie como a versão humana do corvo Diaval, em que muitas vezes o personagem servia não como um mero serviçal, mas como a voz da razão para Malévola. Não é por menos que existem fanarts shippando Malévola e Diaval (sério, joguem no Google agora!), a interação dos dois é muito interessante. A excelente Imelda Staunton, Lesley Manville e Juno Temple também tiram leite de pedra como as fadinhas que, apesar de terem momentos extremamente engraçados, suas inabilidades de serem eficientes para alívio cômico em determinado momento do filme chega a irritar.

A comparação que faço agora parece esdrúxula, mas penso assim: se a Marvel praticamente jogou fora a possibilidade de fazer do Loki um vilão de maior complexidade em Thor: O Mundo Sombrio - o que poderia levar a um filme solo dele, explorando as minisséries dele como base que justamente trabalham essa dualidade bem/mal do ser humano -, Malévola consegue construir o que muitos desses filmes e séries de contos de fada modinha não conseguiram, ou fizeram de forma capenga: uma "bruxa malvada" que não é simplesmente "malvada", mas um ser humano - ou fada - que possui uma vastidão de sentimentos dentro de si, e como tal, necessita lidar com eles... como qualquer um de nós.

Pôster de Malévola

PS: O que foi aquela versão MEDONHA de "Once Upon A Dream" da Lana Del Rey? O filme acabou de um jeito tão lindo, mas aquela voz soturna quase acabou com o clima. Eu hein... #partiuvelório

PPS: Eu ainda vou fazer um post sobre como certos espectadores homossexuais, que ao mesmo tempo que reclamam sobre os estereótipos gays que mostram em programas tipo Zorra Total, acabam agindo EXATAMENTE com a mesma "irreverência" no cinema. Tive de encarar altas doses de escândalos ao assistir Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, e ao assistir Malévola tive de aguentar um "fã" - sentado exatamente do meu lado, comprovando minha "sorte" ao escolher assentos no cinema - que literalmente declamava todas as falas da Angelina Jolie, sem falar de ficar comentando "diva", "linda", "maravilhosa" e "poderosa" em todo momento que ela aparecia na telona. Tudo bem ser fã, mas isso não justifica atrapalhar a experiência dos outros de verem filmes, está bem?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

As mentiras que os editores de mangás contam - Parte II


Bom, houve quem pediu então adiantei a segunda parte. Pra ser sincero, no arquivo de texto, o post parecia que ia ficar grande. Eu acho que daria pra postar tudo de uma vez, mas tive medo que a leitura se tornasse cansada. Bem, agradeço a quem leu e que pediu pelo resto.

Ah, caso esteja passando por aqui pela primeira vez e quer entender toda a novela, comece por este post.

BL não tem vez no Brasil... O caso Gravitation
Aqui eu queria discorrer sobre a questão que parece doer mais quando é puxada em questões no meio das coletivas das editoras: a publicação de BL no Brasil.

Um dos maiores argumentos de que BL não vende é a publicação de Gravitation pela JBC. Lembro que Death Note e Gravitation foram lançados praticamente ao mesmo tempo, junto com Naruto pela Panini. Grandes aquisições da JBC, grandes promessas de venda... Pra ser sincero, nem sei se Death Note foi O sucesso, mas suspeito que sim, já que foi recentemente republicado pela editora.

Gravitation, obviamente, não foi o sucesso que a JBC esperava. A culpa disso recaiu nas fujoshi, que supostamente não teriam impacto algum nas vendas. A grande questão é: o que seria considerado um grande número de vendas? Um sucesso? Se formos pensar que até mesmo no Japão o BL é um produto de nicho, um gênero dentro do shoujo, segundo Matt Thorn, como esperar que um título como Gravitation - que na época foi alcunhado como "o mangá gay", eu lembro bem - vá competir em vendas com um Death Note ou Naruto? E não falo que esse título é melhor que aquele, é simplesmente observar a diferença de como tais títulos são vendidos ao público... Death Note era "foda", Gravitation era o mangá das "meninas que viam homossexualidade em tudo"... Ou nem isso, para quem só sabia da fama do título, era simplesmente o "mangá de bicha", coisa aparentemente pior que "mangá de mulherzinha".

Além da "fama", quero citar duas três coisas que provavelmente ajudaram na "popularidade" do mangá...

1. Gravitation e Death Note foram os primeiros mangás lançados com um preço acima do que era normal na época. Ambos custavam R$11.Não sei quanto a vocês, mas eu lembro que pra mim pesou um pouco esse real a mais. Eu colecionava os dois mas chegou um tempo - eu ainda estava tentando entrar na universidade - que eu tive de escolher um deles. Escolhi Gravitation, afinal esperava o mangá há anos. Me pergunto quantas pessoas na época ainda dependiam, como eu, de dinheiro dos pais pra poder comprar mangá. Orçamento de mesada é algo difícil de se argumentar. Mas enfim, as fujoshis que hoje trabalham e importam BL são aquelas que na época de Gravitation provavelmente estavam na escola.

2. Um editor da G Magazine, que inclusive me procurou pra fazer uma matéria sobre BL, disse que procurou a JBC pra fazer uma matéria sobre Gravitation, mas a editora se recusou dizendo que o mangá não era direcionado ao público gay, mas às mulheres. A editora foi mais receptível com a revista DOM, também gay, mas o discurso foi o mesmo. Apesar de estar correto, que o público majoritário do BL é de mulheres, será que o medo de associar o produto a um público não alienou um potencial consumidor? Anos atrás, quando nem se conhecia o "bara", muitos gays leitores de quadrinhos curtiam ler BL.

3. Gravitation foi lançado com classificação etária pra maiores de 18 anos. Considerando que na época o fandom yaoi estava na faixa da adolescência (eu tinha 20 anos, mas conhecia leitoras de 16, 14...), isso limitou ainda mais o poder de compra.

Pode-se discutir até que Gravitation não era um mangá tão bom assim, embora sua popularidade com fujoshis era visível na época - junto com Loveless. Mas se formos levar em consideração a qualidade da narrativa, eu suspeito dizer que nem tudo sendo lançado hoje nas bancas brasileiras é assim tão bom, então nem isso seria um padrão confiável na decisão do que é lançado aqui. Afinal, por conta do fracasso de Futari H houve a decisão de pararem de publicar mangás eróticos no Brasil por acaso? Se é algo muito arriscado, percebo por alguns lançamentos da Nova Sampa que talvez o risco valha a pena. Mas nem vou perguntar se o risco poderia abranger os mangás do Takeshi Matsu...


Enquanto isso, nos EUA e na França, só pra exemplo, a publicação de títulos BL é praticamente constante - mesmo com suas publicações um pouco acima do preço normal de um mangá. O fandom se consolidou, tanto que temos convenções de yaoi nos EUA. E se formos expandir mais essa ideia de "criar mercado", pensemos nos recentes lançamentos de gay mangá. Hoje, The Passion of Gengoroh Tagame se encontra praticamente esgotado na maioria dos sites de vendas, inclusive na página da editora. Após esse mangá, Tagame teve mais duas publicações, e espera-se uma coletânea de autores de gay mangá para outubro desse ano. Será que esses lugares simplesmente tem mais receptividade com mangás do que a gente?

Muitos editores falam sobre como não existe leitores de BL suficiente no Brasil, mas como dá pra desenvolver um público leitor sendo que praticamente não se publica mangá BL aqui?

E como se explica querer justificar a ausência de títulos shoujo por conta das vendas sendo que os números de edições que se encontra de um mangá shounen é bem diferente de um shoujo? Experimenta ver em algumas bancas quantos cópias de uma edição de um shounen você encontra em comparação as de um shoujo. Mais uma vez lembro em como era fácil encontrar dez, vinte cópias de uma edição de Naruto numa banca, e só três ou cinco de Gravitation. E não, falar do número de cópias de Sailor Moon não conta, afinal, não estamos falando de Sailor Moon apenas, mas de shoujo, que segundo o editor da JBC, não vende. Como exigir o sucesso de algo como Gravitation sendo que ele foi praticamente "jogado" nas bancas? Eu ainda faço uma pesquisa um dia pra comparar quantas propagandas de Death Note aparecem na mídia em comparação com Gravitation. Ou entre quaisquer títulos shounen e shoujo.

Pode parecer "mágoa de miguxa", mas eu escrevo isso pensando que talvez eu não seja o único cansado disso. Na verdade, posts como este no Blyme que dá dicas de onde importar mangás já me diz muito. Se o número de leitores de shoujo e josei é tão pequeno que nem faria diferença pro mercado brasileiro, tudo bem... mas se a questão é lucrar, só eu acho meio estúpido ignorar o número de mulheres que hoje cresceram, entraram no mercado de trabalho e podem comprar todos os mangás que antes não poderiam - duvido que essa não foi uma das razões do relançamento de Sakura Card Captor -, mas que por falta de lançamentos que querem estão apelando pro Book Depository?

Não estou querendo ensinar pai-nosso ao vigário, só acho interessante que seja preciso ouvir muita ladainha pra esconder o fato que é, no mínimo, pura falta de interesse de trabalhar com tais títulos. Talvez possa ter interesses vindos "de cima", talvez possa ser simples satisfação de trazer mangás que atendam mais às necessidades deles do que necessariamente do público... A questão é que não acho justo, e nem sou obrigado a ficar calado. Afinal, o consumidor não sou eu?


Agora veremos quanto tempo vai passar até que tenhamos shoujo, BL, josei e - dessa vez serei esperançoso - gay mangá publicado regularmente no Brasil sem precisar ficar ouvindo desculpa esfarrapada, com os editores tratando leitores e leitoras do material como consumidores normais, não como retardados... Quero muito, até em nome dos leitores que estão crescendo, que as coisas melhorem no mercado daqui a alguns anos e que não precise tanto choro para que uma futura fujoshi consiga seu exemplar de Love Stage!! ou Junjou Romantica. Até lá, Deus abençoe o cartão de crédito internacional!

As mentiras que os editores de mangás contam - Parte I


Eu estava pensando em guardar esse post pra blogagem do Dia do Yaoi, mas essa ideia estava martelando tanto minha cabeça, é melhor pôr pra discussão agora, não?
Como o texto ficou grande, vou dividi-lo em partes... E lembrando que o que falo não é lei, mas que sirva pra fazer a gente pensar, trocar ideias. Vamos lá?

Toda essa reflexão minha começou por duas razões... Primeiro este post no grupo do Shoujo Café (não sei se está aberto para o público) em que se discutia, praticamente TODOS os membros do grupo contra um, sobre como as editoras de mangás discriminam, bem, praticamente todo gênero de mangá além do shounen. E segundo, por este tweet do Cassius Medauar, atual editor da JBC Mangás, falando sobre como Sailor Moon é um "caso excepcional":


Esse tweet, aliás, me deixou tão puto chateado que me fez decidir uma coisa: terminadas as coleções de mangás que estou fazendo, eu vou começar a importar os mangás que eu quero e comprar o mínimo possível de mangás em edição brasileira. Estou me juntando ao número de moças e mulheres que, inseridas no mercado de trabalho e leitoras ávidas, preferem comprar mangás shoujo e BL publicados nos EUA, Europa, ou até mesmo direto do Japão. Não que eu ache que isso vai "acabar" com o mercado brasileiro, se trata de outra coisa, que vou explicar ao decorrer do assunto. Vamos ao começo.

Um mercado baseado em lorota
Eis o que todos sabemos: as editoras não querem publicar mangá shoujo/josei/BL - nem vou citar gay mangá pra não deprimir de vez. O motivo seria porque não vende. Não tem público. E os números de vendas entre um shoujo para um shounen aparentemente é de uma disparidade tão grande que é um risco publicar mangás femininos, portanto, nem vale a pena.

Considerando que os números de vendas não são revelados, nós só podemos deduzir algumas questões sobre o assunto. E ao verificar tais questões, percebo que certas coisas não batem, ou no mínimo são muito suspeitas.

Primeira coisa que penso é a questão de que mangás femininos não possuem público. Ou, remetendo a uma ideia ultrapassada que ainda persiste na mente de muitos, especialmente nerds: mulher não lê. Consequentemente, mangás shoujo não vendem porque seu público não lê. Eu acho que não preciso desenhar no quanto essa ideia é equivocada. Podemos ver fatias do mercado que investem no público feminino e se dão bem. O primeiro que me vem à cabeça seria os livros Harlequim, que estão por aí há anos e que se não houvesse quem os lessem, estariam fora de mercado faz tempo. E vamos lembrar que os livros Harlequim são geralmente escritos por mulheres, o que poderíamos associar com a grande particularidade da maioria das obras shoujo e josei: de mulheres para mulheres. Existem publicações destinadas ao público feminino que ainda se mantem nas bancas. E não podemos esquecer de fenômenos literários recentes como Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza. O segundo, aliás, fez explodir um número absurdo de publicações de literatura adulta para mulheres que, em anos passados, estariam praticamente escondidos em alguma prateleira. Hoje estão sendo publicados e divulgados com toda a pompa de um best seller. Talvez eu esteja sendo muito abrangente, mas se a questão é pensar se mulheres leem ou não, é só pensar no seguinte: livros Harlequim são de formato pequeno, podem ser levados pra qualquer lugar. E há algum tempo revistas como Nova e Claudia ganharam uma "versão mini" pra caber nas bolsas. Então...

OK, pode-se pensar: "Ah, mas literatura água-com-açúcar é uma coisa, quadrinho é outra", mas aí estaremos martelando em outra ideia imbecil, perpetuada por muitos da cena nerd... Uma inverdade, já que além de lojas de quadrinhos e eventos do tipo terem deixado de ser um Clube do Bolinha faz tempo. Eu mesmo já vi muitas meninas saírem de banca cheias de mangás... E não só Sailor Moon, mas mangás como Bleach, Naruto, Love Hina, Death Note, Monster... O que me faz lançar a seguinte reflexão: se a questão é que os shoujo não vendem tanto quanto shounen, o que aconteceria se a maioria das leitoras deixassem de comprar mangá? Como ficariam os números de vendas de tais sucessos de venda?

Aqui podemos ver outra questão: preconceito contra obras ditas "para mulheres". Aqui eu puxo da lembrança dois lançamentos interessantes de mangá: Naruto e Otomen. Naruto é um sucesso inegável, lembro que a primeira edição do mangá ficou um bom tempo aparecendo como uma das mais vendidas naquele ranking da Comix Book Shop. Eu mesmo encomendei a edição antes que viesse para Manaus - junto com a primeira edição de Gravitation, por falar nisso. O mangá tinha fãs de todos os sexos, era uma história valorizada por todo o público, mesmo que alguns dissessem que ele seria quase um "shounen para garotas". Seria pelo "beijo" de Sasuke e Naruto no primeiro volume? Haku e Zabuza? O fandom de fujoshis e a overdose de doujinshis que surgiu da obra? Talvez... Mas isso nunca abalou, na época, a força do mangá de ser um sucesso de vendas.


Bem, mas agora falemos de Otomen. Mangá shoujo. Figurou várias vezes como um dos mais vendidos na lista da Oricon... Assim como Naruto. História competente, extremamente engraçada e criativa... Assim como Naruto. Ao ser divulgada a capa do primeiro volume da edição brasileira de Otomen, era mais quem achava a capa ridícula, "muito gay". Daí eu vi praticamente massacre em cima do mangá em sites e blogs para otakus, um mangá de capa "gay", que supostamente seria sobre um "menino gay", e como era mais um "mangá de menininha"...


Nesse caso quero mostrar a diferença de tratamento que se dá para obras que, potencialmente, seriam sucesso. Mas a questão é que enquanto uma garota pode ler tranquilamente um mangá de Naruto, seria absurdo ver um garoto ler um mangá como Otomen. Tudo bem, aqui tratamos de uma questão cultural, questão de "masculinidade". Mas enquanto temos a desculpa de que Otomen seria "muito gay" para o crivo da maioria dos leitores, é estranho que todas as editoras culpem uma falta de público leitor feminino quando os gêneros de mangás é que são tratados como uns melhores que os outros, refletindo aquele preconceito de que toda obra feminina ou para mulheres é de baixa qualidade. O shoujo pra ser sucesso tem que ser muito, MUITO bom... O shounen, bem, esse é TÃO BOM que é garantia que todo mundo vai gostar. A ideia de que as coisas do público masculino são naturalmente universais pesa muito, por mais que não queiram ver. Pesa na escolha do que a pessoa vai comprar na banca, e pesa no que os editores querem colocar nas bancas.

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sábado, 17 de maio de 2014

Primeiro mangá de Jiraiya publicado oficialmente em inglês!


Finalmente! Um mangá do Jiraiya está sendo publicado oficialmente em inglês, o primeiro de sua autoria a ser publicado nos EUA! O gay mangá intitulado Caveman Guu é uma obra inédita, feita especialmente para ser publicada para o público fora do Japão.

Eu não entendi muito bem a sinopse da história. Mesmo em inglês eu achei confusa, talvez quem postou a notícia o fez assim para não revelar muito da história. O que se sabe é que a história se passa no período pré-histórico em que Guu, um homem das cavernas, acaba aprendendo que os seres humanos se reproduzem através do sexo. Mas aparentemente Guu não aprende isso direito, já que ele tenta fazer filhos também com homens. Ou talvez ele perceba também que sexo não serve apenas para procriar... Enfim, nota-se que tal processo é apenas desculpa para criar situações de comédia, e de erotismo.


Caveman Guu é uma das histórias que serão publicadas no livro Massive: Gay Erotic Manga and the Men Who Make It. Para quem não sabe, Massive é dos mesmos editores de The Passion of Gengoroh Tagame, mas que dessa vez reunirá vários mangakás de gay mangá, alguns sendo publicados pela primeira vez nos EUA. O livro estará disponível apenas em outubro deste ano, mas caso você seja fã e esteja curioso em conferir este mangá do Jiraiya - e tem um cartão internacional disponível em mãos -, pode comprar a história numa edição avulsa clicando aqui. Posso estar enganado, mas acho que este é o primeiro oneshot vendido desta maneira ao público ocidental. Creio que este seja um modo de experimentar a venda de gay mangá publicados de maneira mais barata, sem ser em livros de luxo. Parece que ao contrário de nossos queridos editores brasileiros de mangás, estes não temem em arriscar para ver as respostas do mercado.

Enfim, fica a dica para os fãs de Jiraiya como eu. Se você comprar, não deixe de avisar o que achou. E se eu comprar, não se preocupem que eu faço um post sobre. ;)


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